Há lugares que estão no mapa, mas ainda não estão no turismo.
Essa talvez seja uma das melhores formas de olhar para o potencial do turismo rural. Em muitas regiões do Paraná, existem propriedades, pequenas agroindústrias, vinícolas, produtores de queijos, cafés, restaurantes, pousadas, espaços de lazer, trilhas e experiências que poderiam receber visitantes, mas que ainda encontram dificuldade para se apresentar ao mercado.
E, muitas vezes, o problema não é a falta de atrativos. É a falta de estruturação, divulgação e conexão.
O turismo rural é uma atividade que agrega valor à produção agropecuária e, ao mesmo tempo, permite resgatar e promover o patrimônio cultural e natural das comunidades. No Paraná, esse segmento já está presente em diferentes regiões e reúne experiências que vão muito além de uma visita ao campo.
O desafio está em transformar aquilo que já existe em uma experiência turística.
Uma propriedade pode produzir café, vinho, queijo, mel, frutas ou outros produtos. Pode ter uma história familiar centenária, uma paisagem diferenciada, uma receita que passa de geração em geração ou uma maneira particular de produzir. Tudo isso tem valor. Mas, para se transformar em turismo, é preciso organizar essa experiência para que o visitante consiga encontrá-la, entendê-la, acessá-la, consumi-la e, principalmente, tenha vontade de permanecer mais tempo.
É aí que entra uma questão importante: o turista não compra distância. Ele compra experiência.
Uma propriedade localizada a dezenas de quilômetros de um grande centro pode parecer distante para quem olha apenas o mapa. Mas, quando existe uma boa experiência, gastronomia, natureza, cultura, história e outras atividades integradas, a distância deixa de ser o principal obstáculo.
O próprio Paraná já oferece bons exemplos de como essa organização pode acontecer.
Na Região Metropolitana de Curitiba, o Circuito Italiano de Turismo Rural, em Colombo, e o Caminho do Vinho, em São José dos Pinhais, mostram como produção, cultura, gastronomia e identidade podem ser transformadas em produtos turísticos.
Colombo é um exemplo interessante porque o Circuito Italiano não se resume a uma propriedade ou a um único atrativo. Ele reúne diferentes empreendimentos e experiências relacionadas à herança da imigração italiana, à produção rural, à gastronomia, ao vinho e à paisagem.
No Norte do Paraná, o café também mostra como uma atividade econômica pode se transformar em identidade turística. A Rota do Café Paraná reúne municípios como Londrina, Mandaguari, Ibiporã, Rolândia, Sapopema, Cornélio Procópio, Santa Mariana e Ribeirão Claro, conectando história, produção, cultura e paisagens do território.
E não é só o café.
O Paraná possui experiências ligadas ao queijo, à erva-mate, à lavanda, à uva e a diferentes culturas e tradições rurais. Existem também roteiros relacionados às colônias, à produção agrícola, à gastronomia e às experiências de pequenos produtores.
Esses exemplos mostram uma mudança importante de perspectiva.
Não estamos falando apenas de propriedades rurais que recebem turistas. Estamos falando de territórios que podem construir produtos turísticos a partir daquilo que já produzem e da história que já possuem.
Mas existe uma etapa fundamental entre ter um potencial e estar preparado para o turismo.
É preciso profissionalizar. Definir o que será oferecido, criar horários de visitação, organizar reservas, estabelecer preços, melhorar a comunicação, sinalizar os acessos, preparar quem irá receber o visitante, cuidar da segurança, desenvolver presença digital e, principalmente, entender que o turista precisa encontrar informações antes mesmo de sair de casa.
E aqui aparece um personagem importante nessa construção: a governança regional.
No Paraná, as Instâncias de Governança Regional, as IGRs, têm justamente o papel de articular os diferentes atores do turismo dentro de uma região. Muitas delas estão estruturadas a partir de entidades como as Adeturs, reunindo municípios, iniciativa privada e outras instituições em torno de uma visão regional do desenvolvimento turístico.
Quando bem estruturada, uma IGR pode fazer aquilo que dificilmente um pequeno empreendimento ou um município consegue fazer sozinho: olhar para o território como um produto integrado.
Pode ajudar a identificar os empreendimentos existentes, aproximar os empresários, estimular a criação de roteiros, discutir infraestrutura, promover capacitação, organizar informações e construir estratégias de promoção para toda a região.
E isso é especialmente importante no turismo rural.
Uma pequena propriedade pode não ter recursos ou estrutura para se promover sozinha. Mas, quando está inserida em um roteiro regional, pode passar a fazer parte de uma experiência maior.
É a diferença entre dizer “tem uma propriedade rural aqui” e poder dizer “existe um roteiro que você pode fazer nesta região”.
Essa mudança de perspectiva é fundamental.
Porque o turista não enxerga necessariamente as fronteiras administrativas. Ele enxerga uma paisagem, uma experiência, uma gastronomia, uma cultura, uma história.
Por isso, a governança regional pode ser uma ferramenta poderosa para transformar vários pequenos atrativos em um produto turístico capaz de competir no mercado.
Mas isso exige participação.
Não basta criar uma IGR ou um roteiro no papel. É preciso que municípios, empreendedores, entidades, produtores e demais atores do território estejam dispostos a construir juntos.
Quando essa engrenagem funciona, o turismo deixa de ser uma ação isolada de cada município e passa a ser uma estratégia de desenvolvimento regional.
Também é preciso olhar para a visibilidade.
De nada adianta uma experiência extraordinária existir se o turista não consegue encontrá-la.
Iniciativas como a DesBRAva, lançada pela Embratur e pelo Sebrae em 2026, mostram justamente a importância de aproximar empreendedores, mercado, conhecimento e oportunidades de negócios, ampliando a capacidade do turismo brasileiro de se apresentar e se conectar com novos mercados.
Para o turismo rural, essa lógica é fundamental.
Precisamos mapear o que existe, organizar as informações, qualificar os empreendedores, criar produtos, conectar experiências e comunicar melhor.
O Paraná já tem muito mais turismo rural do que às vezes conseguimos enxergar.
Agora, o desafio é fazer com que aquilo que está escondido no território esteja também visível para o turista.
Se no texto anterior falamos que as fronteiras administrativas não podem limitar o turismo, neste falamos de quem pode ajudar a construir as pontes entre esses territórios.
Porque o campo pode ser muito mais do que o lugar por onde passamos para chegar a outro destino.
Pode ser o próprio destino.
E, quando isso acontece, não ganha apenas o visitante. Ganha o produtor, ganha o município, ganha a região e ganha todo o território.
Texto construído com apoio de inteligência artificial, refletindo o uso responsável da tecnologia como ferramenta de apoio à comunicação e à análise estratégica.


