Nos bastidores da aviação existe uma estratégia pouco conhecida chamada Air Service Development (ASD, ou desenvolvimento do serviço aéreo, em tradução livre). É ela que ajuda a transformar o potencial de um destino em novas conexões aéreas.
Quando uma companhia aérea anuncia um novo voo, a impressão é de que aquela decisão aconteceu de forma rápida. Afinal, bastou uma negociação bem-sucedida ou uma decisão da empresa para que uma nova rota passasse a existir.
Mas a realidade é bem diferente.
Antes de uma aeronave decolar pela primeira vez, existe um longo trabalho de construção de mercado. No setor da aviação, esse processo recebe um nome: Air Service Development (ASD).
Ainda pouco conhecido fora dos bastidores da aviação e do turismo, o Air Service Development é uma estratégia permanente para desenvolver a conectividade aérea de um destino. Mais do que negociar voos, seu objetivo é demonstrar às companhias aéreas que determinada cidade possui demanda consistente, ambiente favorável para novos investimentos e potencial de crescimento sustentável.
É um trabalho que reúne aeroportos, governos, entidades de promoção turística, Convention Bureaux, setor empresarial e companhias aéreas. Cada um desempenha um papel essencial para construir um ambiente capaz de justificar a abertura de uma nova rota.
Isso porque uma companhia aérea não escolhe um destino apenas olhando para um aeroporto. Ela analisa o tamanho do mercado, o perfil dos passageiros, a movimentação econômica, o turismo, a demanda corporativa, o potencial de cargas, a conectividade com outros destinos, a infraestrutura disponível e, principalmente, a possibilidade de manter aquela operação de forma rentável ao longo do tempo.
Em outras palavras, antes de vender passagens, uma companhia aérea investe em mercados nos quais enxerga demanda, sustentabilidade econômica e perspectivas de crescimento. Ela aposta em destinos capazes de gerar fluxo contínuo de pessoas, negócios e oportunidades.
É exatamente por isso que o turismo possui um papel muito maior do que muitas pessoas imaginam.
Cada evento captado, cada congresso realizado, cada novo atrativo estruturado, cada investimento em promoção turística e cada política pública voltada ao desenvolvimento fortalecem o argumento de que aquele destino merece estar conectado com mais mercados.
Ao longo da minha atuação no turismo, aprendi que promover um destino não significa apenas atrair visitantes. Significa construir credibilidade, criar condições para que investidores, organizadores de eventos e, inclusive, companhias aéreas enxerguem valor naquele mercado.
O recente anúncio da ligação direta entre Curitiba e Lisboa ilustra bem essa realidade. O novo voo representa uma conquista importante para o Paraná, mas não surgiu da noite para o dia. É resultado de anos de planejamento, estudos de mercado, articulação institucional e cooperação entre diferentes atores públicos e privados que acreditaram no potencial da cidade e do Estado.
Esse talvez seja o maior ensinamento: novos voos não são o ponto de partida do desenvolvimento. Eles são consequência de um destino que investe continuamente em sua competitividade.
Quanto mais uma cidade atrai turistas, realiza eventos, fortalece seu ambiente de negócios, investe em inovação e promove seus diferenciais, maior é sua capacidade de demonstrar que existe demanda para novas conexões.
No turismo, costumamos celebrar o momento em que um novo voo é anunciado. Mas talvez devêssemos celebrar ainda mais o trabalho silencioso que acontece muito antes da primeira decolagem.
Porque, no fim das contas, companhias aéreas não conectam apenas aeroportos. Elas conectam pessoas, oportunidades, investimentos e desenvolvimento e essas conexões começam muito antes de uma aeronave alinhar na cabeceira da pista.
No próximo artigo, ampliaremos essa conversa. Porque, depois que um avião pousa, começa outro desafio igualmente estratégico: fazer com que o visitante percorra o território, descubra novos destinos e permaneça mais tempo no Estado. É aí que entram as rodovias, os corredores turísticos e a integração regional, elementos tão importantes para o desenvolvimento quanto a própria conectividade aérea.
Só para avisar, que não esqueci dos tipos de turismo, logo voltarei a essa sequência, mas temos que aproveitar o momento do novo voo da TAP de Curitiba – Lisboa e trazer a discussão para um assunto, pouco conhecido.
Texto construído com apoio de inteligência artificial, refletindo o uso responsável da tecnologia como ferramenta de apoio à comunicação e à análise estratégica.


