Estamos em um período eleitoral. Em breve, escolheremos deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. Serão decisões que influenciarão diretamente os rumos do país e dos Estados nos próximos anos.
Entre tantos temas presentes nos debates eleitorais, como economia, saúde, educação, segurança e infraestrutura, fica uma pergunta: qual espaço o turismo ocupa nos projetos e nas propostas dos candidatos? E, mais do que isso, será que todos compreendem o tamanho e a importância da cadeia turística?
Ainda é comum associar o turismo apenas às férias, aos feriados, às praias ou aos grandes destinos. Mas o turismo é muito maior do que isso. Ele movimenta uma extensa cadeia econômica que envolve hotelaria, gastronomia, transporte, eventos, cultura, comércio, entretenimento, tecnologia, agricultura e uma infinidade de pequenos e médios negócios.
Por trás de cada viagem existe uma rede inteira trabalhando.
Quando alguém visita um destino, participa de um congresso, viaja a negócios ou escolhe uma cidade para passar alguns dias, gera movimentação muito além do local onde se hospeda. Há empregos, fornecedores, empreendedores e profissionais que dependem direta ou indiretamente dessa atividade.
Por isso, discutir turismo durante uma eleição não deveria se resumir a promessas de promoção de destinos ou construção de novos atrativos. Precisamos de candidatos que compreendam o turismo como uma política de desenvolvimento.
Essa compreensão é importante em todas as esferas.
O presidente e o Governo Federal têm papel fundamental na promoção internacional do Brasil, na conectividade aérea, nas relações internacionais e nas grandes políticas nacionais. O Congresso Nacional pode criar, aperfeiçoar e fortalecer leis que impactam diretamente o setor, além de contribuir para a definição de prioridades e investimentos.
E os senadores? Também participam de decisões nacionais que podem influenciar diretamente o ambiente econômico, a infraestrutura, a conectividade e as condições necessárias para que o turismo brasileiro cresça de forma sustentável.
Nos Estados, os governos têm um papel estratégico na integração regional, na infraestrutura, na promoção dos destinos e na articulação entre municípios e regiões. Já os deputados estaduais podem contribuir para que o turismo esteja presente nas agendas de desenvolvimento e nas políticas públicas estaduais.
Turismo não é responsabilidade de uma única secretaria. Não é um assunto isolado. Ele conversa com transporte, infraestrutura, cultura, meio ambiente, desenvolvimento econômico, inovação, segurança e qualificação profissional.
Talvez seja justamente esse um dos grandes desafios: fazer com que o turismo seja compreendido por quem formula políticas públicas como uma atividade transversal, capaz de gerar oportunidades e distribuir renda por diferentes setores e territórios.
Em um país com a diversidade do Brasil, e em um Estado com o potencial do Paraná, temos muito a ganhar quando o turismo passa a fazer parte de uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.
Os candidatos que buscam representar a população precisam olhar para essa cadeia com mais atenção. Não apenas para os grandes números de visitantes, mas para tudo o que acontece quando uma pessoa decide viajar, permanecer mais tempo, participar de um evento ou conhecer um novo destino.
Porque o turismo gera movimento. E, quando há planejamento, infraestrutura e visão estratégica, esse movimento se transforma em negócios, empregos, renda e desenvolvimento.
Nesta eleição, talvez devêssemos acrescentar mais uma pergunta às tantas que já fazemos aos candidatos: como o turismo aparece no seu projeto para o Brasil e para os Estados?
Mais do que uma promessa de campanha, o turismo precisa ser entendido como aquilo que ele realmente é: uma das grandes cadeias capazes de conectar pessoas, territórios, negócios e oportunidades.
E talvez esteja na hora de quem deseja governar e legislar olhar para o turismo não apenas como um setor, mas como parte importante da construção do futuro que queremos.
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