O turista não conhece fronteiras.
Ele não sabe exatamente onde termina um município e começa outro. Não pensa em divisas administrativas, limites territoriais ou mapas políticos. Ele pensa em uma viagem.
Quer chegar, conhecer, experimentar, descobrir, descansar, participar, comer bem, fazer fotos, viver uma experiência e, se encontrar motivos para isso, ficar mais um dia.
É justamente aí que existe uma oportunidade que ainda podemos explorar melhor no turismo: pensar o destino não apenas como um município, mas como um território capaz de gerar experiências e distribuir oportunidades.
Em textos anteriores desta coluna, já falamos sobre a importância da integração entre municípios, da governança regional e de como diferentes segmentos do turismo podem se complementar.
Mas existe uma pergunta que merece avançar um pouco mais:
Quando o turista circula por uma região, quem realmente se beneficia dessa viagem?
O turista circula. O dinheiro também deveria circular.
Imagine um visitante que chega a Curitiba para participar de um congresso. Ele se hospeda na capital, conhece restaurantes, visita alguns atrativos e, antes de voltar para casa, decide conhecer Morretes e Antonina.
Nesse percurso, ele utiliza transporte, faz uma refeição, compra produtos locais, visita atrativos e talvez até decida passar mais uma noite fora da capital.
Para o turista, tudo isso é uma única experiência. Para a economia, são diferentes negócios, trabalhadores e municípios participando da mesma cadeia.
É por isso que precisamos olhar para o turismo não apenas pelo número de visitantes que chegam a um município, mas pelo valor que essa viagem consegue gerar e distribuir pelo território.
Um turista que permanece mais tempo é importante, mas um turista que permanece mais tempo e circula por diferentes destinos pode produzir um impacto ainda maior.
A fronteira administrativa não pode virar uma fronteira econômica e aqui está um dos grandes desafios.
Ainda existe uma tendência de cada município promover seus próprios atrativos, seus eventos, seus equipamentos e suas experiências e isso é compreensível, pois cada gestor precisa apresentar resultados para seu território.
Mas o turismo tem uma característica diferente de muitas outras atividades econômicas: o produto não termina na porta de uma empresa e nem na divisa de uma cidade.
Uma experiência pode começar em um município e terminar em outro.
Um evento pode acontecer em uma cidade e gerar hospedagem, gastronomia e entretenimento em várias outras.
Um voo pode trazer o visitante para uma determinada porta de entrada, mas seu roteiro pode se espalhar por toda uma região.
Uma rodovia pode ser apenas infraestrutura de deslocamento ou pode conectar uma sequência de experiências.
A diferença está na estratégia.
Talvez seja hora de trocar uma pergunta, em vez de perguntar: “O que temos para oferecer ao turista?” perguntar: “O que podemos oferecer juntos?”
Essa mudança abre possibilidades.
Um município pode ter patrimônio histórico, outro pode ter natureza, outro gastronomia, outro turismo rural, outro aventura, outro pode concentrar hotéis, centros de eventos e infraestrutura, outro pode possuir uma experiência única que nenhum dos demais tem.
Isoladamente, cada um pode ter um produto turístico interessante e conectados, podem formar uma experiência muito mais competitiva e capaz de aumentar a permanência do visitante.
E isso vale não apenas para municípios vizinhos, vale para regiões inteiras.
O corredor pode ser mais do que caminho
Já falamos aqui sobre corredores turísticos e sobre a necessidade de fazer o visitante não apenas passar, mas permanecer e talvez seja justamente esse o ponto que precisamos aprofundar.
Uma rodovia não deveria ser vista apenas como o espaço que leva o turista de um ponto a outro, ela pode ser parte da experiência.
Uma rota pode conectar gastronomia, natureza, cultura, eventos, produtores locais, hospedagem e comércio, mas isso exige planejamento, sinalização, infraestrutura, comunicação integrada, que o turista saiba que existem experiências pelo caminho e, principalmente, que os municípios entendam que o sucesso de um pode contribuir para o sucesso do outro.
O verdadeiro desafio é fazer o turista ficar
Atrair turistas continua sendo fundamental, mas talvez já tenhamos aprendido que o número de chegadas, sozinho, não conta toda a história.
O que realmente interessa é o que acontece depois que ele chega.
Quanto tempo permanece? Onde se hospeda? Onde come? O que visita? O que compra? Quantos municípios conhece? Quantas experiências realiza? Quanto dinheiro permanece na economia local? Quanto desse valor consegue alcançar pequenos negócios e empreendedores que estão fora dos grandes centros?
Essa é uma discussão que transforma turismo em estratégia de desenvolvimento. Porque permanência é receita, circulação é distribuição e experiência é valor.
O Paraná tem muito a ganhar com essa visão
O Paraná tem uma diversidade turística que permite construir essa lógica de maneira muito concreta.
Temos destinos de natureza, gastronomia, turismo rural, religioso, aventura, cultura, negócios e eventos.
Temos cidades com características completamente diferentes, mas que podem ser complementares.
Temos novas conexões aéreas, uma extensa malha rodoviária e regiões que podem ser articuladas para criar experiências mais completas.
O desafio não é necessariamente inventar novos destinos, é conectar melhor os que já existem, e, principalmente, criar condições para que o visitante perceba essa conexão.
Porque não adianta nós sabermos que dois municípios estão próximos, é preciso que o turista descubra que vale a pena conhecer os dois.
Turismo é estratégia territorial
Quando planejamos o turismo apenas dentro das fronteiras administrativas, podemos estar limitando uma atividade que, por natureza, é muito maior do que elas.
O turista, o evento, o dinheiro, as experiências e as oportunidades se movimentam.
Por isso, talvez o próximo passo da gestão turística seja deixar de perguntar apenas quantos turistas cada município consegue atrair e começar a discutir quanto valor uma região consegue gerar a partir de cada visitante.
Essa mudança de olhar pode transformar municípios que hoje competem por atenção em parceiros na construção de um destino mais forte.
Porque, no fim das contas, o turista não escolhe uma divisa municipal. Ele escolhe uma experiência e talvez o futuro do turismo esteja justamente em transformar territórios próximos em experiências que façam sentido para quem viaja.
O turista não conhece fronteiras e o destino, está preparado para não conhecê-las também?
Texto construído com apoio de inteligência artificial, refletindo o uso responsável da tecnologia como ferramenta de apoio à comunicação e à análise estratégica.


