Nesta semana, Curitiba sediou o II Seminário de Turismo Gastronômico, reunindo gestores públicos, empreendedores, chefs, pesquisadores e profissionais do turismo para discutir um tema que, felizmente, vem conquistando o espaço que merece nas estratégias de desenvolvimento dos destinos.
Tive a honra de participar da abertura do seminário e compartilhar uma reflexão que considero cada vez mais necessária: a gastronomia deixou de ser apenas parte da viagem. Hoje, ela é, muitas vezes, o próprio motivo da viagem.
Viajar é conhecer pessoas, paisagens e culturas. Mas também é descobrir aromas, ingredientes, tradições e histórias servidas à mesa.
A gastronomia é uma das expressões mais autênticas da identidade de um povo. Ela preserva memórias, valoriza a produção local, revela influências culturais e transforma ingredientes em experiências capazes de permanecer na lembrança por muito tempo. É justamente por isso que o turismo gastronômico tem crescido em todo o mundo.
Cada vez mais pessoas escolhem seus destinos para conhecer restaurantes, visitar mercados municipais, participar de festivais gastronômicos, experimentar pratos típicos, percorrer rotas de vinhos, cervejas artesanais, cafés especiais, queijos, embutidos ou produtos tradicionais de uma determinada região. O destino deixa de ser apenas um lugar para conhecer e passa a ser um lugar para ser vivido, também pelo paladar. Mas os impactos desse segmento vão muito além da experiência do visitante.
Quando falamos em turismo gastronômico, estamos falando de desenvolvimento econômico. Estamos falando de agricultores familiares, pescadores, produtores artesanais, vinicultores, cafeicultores, cervejeiros, chefs, restaurantes, hotéis, mercados, empresas de eventos, transportadores e tantos outros profissionais que integram uma extensa cadeia produtiva.
Uma única refeição movimenta dezenas de negócios e fortalece economias inteiras. Mais do que isso, a gastronomia tem a capacidade de distribuir o turismo pelo território. Ela leva visitantes para cidades menores, incentiva a permanência, movimenta a economia em períodos de baixa temporada e valoriza aquilo que cada região possui de mais autêntico.
No Paraná, esse movimento pode ser visto de forma muito clara.
Os festivais gastronômicos deixaram de ser apenas celebrações locais para se consolidarem como importantes produtos turísticos. Eles fortalecem a economia, valorizam produtores, preservam tradições e criam um excelente motivo para viajar.
A tradicional Festa Nacional do Carneiro no Buraco, em Campo Mourão, talvez seja um dos exemplos mais conhecidos. Um prato típico transformou-se em marca da cidade e, ano após ano, atrai milhares de visitantes, movimentando hotéis, restaurantes, comércio e serviços.
Em Morretes, o tradicional Barreado ultrapassou o status de prato típico. Tornou-se um dos principais símbolos turísticos do litoral paranaense, fazendo com que muitos visitantes escolham a cidade justamente para viver essa experiência gastronômica.
No Norte Pioneiro, a Festa da Goiaba, em Carlópolis, valoriza a produção agrícola local e fortalece a economia regional. Nos Campos Gerais, as festas ligadas às tradições dos imigrantes preservam receitas centenárias e reforçam a identidade cultural das comunidades. Já no Oeste do Paraná, festivais dedicados à tilápia, ao peixe e às cervejas artesanais demonstram como diferentes vocações podem ser transformadas em atrativos turísticos.
Os exemplos se multiplicam por todo o Estado. Mais do que promover boa comida, esses eventos promovem territórios. Eles criam experiências, fortalecem a identidade regional e fazem com que o turista permaneça mais tempo, circule por diferentes municípios e distribua sua renda ao longo da viagem. É exatamente essa lógica que transforma o turismo em uma ferramenta de desenvolvimento.
Mas esse movimento não acontece apenas durante os festivais.
O Paraná vem consolidando, cada vez mais, rotas e experiências gastronômicas permanentes, permitindo que o visitante explore o Estado durante todo o ano. Roteiros ligados ao vinho, ao café especial, às cervejarias artesanais, aos queijos, às agroindústrias familiares, ao turismo rural e aos produtos típicos regionais demonstram que a gastronomia pode estruturar verdadeiros corredores turísticos, conectando municípios, fortalecendo pequenos empreendedores e distribuindo os benefícios do turismo para além dos grandes centros.
Quando essas iniciativas são planejadas de forma integrada, com governança, promoção e participação do setor público e da iniciativa privada, deixam de ser apenas atrativos isolados e passam a compor uma estratégia de desenvolvimento territorial. É exatamente essa integração que torna os destinos mais competitivos, amplia o tempo de permanência dos visitantes e gera impactos econômicos mais consistentes para toda a região.
Outro aspecto que merece destaque é sua relação direta com o turismo de negócios e eventos. Quem participa de um congresso, convenção ou feira não busca apenas uma boa estrutura para o evento. Busca viver a cidade. Quer conhecer restaurantes, cafés, mercados, bares e experiências que revelem a personalidade daquele destino. É justamente aí que a gastronomia deixa de ser um serviço complementar e passa a ser um diferencial competitivo.
Uma boa experiência à mesa pode transformar completamente a percepção que um visitante leva de uma cidade. Pode fazê-lo prolongar a estadia, retornar com a família e, principalmente, recomendar aquele destino para outras pessoas.
Curitiba reúne características que fortalecem esse posicionamento. A diversidade trazida pelas diferentes etnias que ajudaram a construir a cidade está presente em sua culinária. Restaurantes de diferentes origens, mercados, feiras, cafés, cervejarias artesanais e chefs que valorizam ingredientes locais fazem da capital um destino cada vez mais reconhecido também por sua gastronomia.
Mas essa riqueza vai muito além de Curitiba.
O Paraná possui uma diversidade gastronômica extraordinária. Cada região guarda sabores, receitas, ingredientes e tradições que representam sua história e sua cultura. Transformar essa riqueza em experiências turísticas é uma oportunidade de fortalecer economias locais, incentivar o empreendedorismo e ampliar a competitividade dos destinos.
A gastronomia também exerce um importante papel como instrumento de soft power.
Ela comunica identidade, desperta curiosidade, fortalece a imagem de um destino e cria conexões emocionais que permanecem muito depois do fim da viagem. Um prato típico pode ser tão representativo quanto um monumento histórico. Uma receita tradicional pode contar mais sobre um povo do que muitas campanhas de promoção turística.
O II Seminário de Turismo Gastronômico reforçou exatamente essa visão: promover a gastronomia é promover cultura, inovação, empreendedorismo, sustentabilidade e desenvolvimento. Mais do que discutir sabores, o seminário trouxe uma mensagem importante para gestores públicos, empresários e profissionais do turismo: a gastronomia precisa ocupar um lugar estratégico nas políticas de desenvolvimento dos destinos. Ela gera emprego, valoriza a identidade local, fortalece cadeias produtivas, estimula a inovação e cria oportunidades para municípios de todos os portes.
Quando compreendemos que um prato típico pode ser o ponto de partida para uma viagem, um festival pode movimentar toda uma economia regional e uma rota gastronômica pode conectar diferentes municípios em torno de uma experiência autêntica, percebemos que investir em gastronomia é investir no futuro do turismo.
Porque os destinos são feitos de paisagens, pessoas e patrimônios, mas também são feitos de aromas, sabores e memórias e poucas experiências têm tanto poder de conectar um visitante a um lugar quanto aquela vivida ao redor de uma mesa.
Talvez por isso a gastronomia seja hoje uma das formas mais genuínas de transformar um simples destino em uma experiência inesquecível.
Texto construído com apoio de inteligência artificial, refletindo o uso responsável da tecnologia como ferramenta de apoio à comunicação e à análise estratégica.


