Alvaro Dias anunciou na segunda-feira (3) sua desistência da candidatura para o Senado pelo MDB. O recuo veio apenas um dia após a convenção do partido, realizada na Sociedade Thalia, em Curitiba. No evento, o político foi alvo dos jornalistas e, entre tergiversações sobre “unidade” e “união”, deixou palavras que o colocavam na corrida por uma das duas vagas do Paraná na Câmara Alta do Congresso Nacional.
Baseado nas falas e informações coletadas no local, veículos de imprensa cravaram a candidatura. Mas os sinais de dúvida começaram a surgir lá mesmo, horas depois, ainda no salão do clube social. A ata da convenção, que é um documento oficial que tem que ser registrado na Justiça Eleitoral, só seria divulgada no dia seguinte. O material do MDB para jornalistas, que foi distribuído ao final da tarde, também não mencionava a candidatura de Alvaro Dias. Para quem não conseguiu cobrir o evento in loco, era como se o ex-senador sequer tivesse tido papel de destaque na convenção.
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“Verba volant, scripta manent”. Só mais um caso que confirma a máxima de que na política brasileira “nunca vale o dito, só o escrito”. Talvez por isso, Alvaro Dias tenha escolhido uma carta para divulgar que sairia da disputa pelo Senado nas Eleições 2026. Embora tenha dito no texto que fez a escolha “com serenidade, sem qualquer sentimento de mágoa, ressentimento ou revolta”, há outros trechos que explicitam discordância do político com a forma que as negociações foram conduzidas.
Com a vinda do ex-prefeito Rafael Greca (MDB) para a vice da candidatura governista de Sandro Alex (PSD), a possível candidatura de Dias ao Senado gerava uma fratura com um dos principais nomes do grupo político de Ratinho Junior: o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos). A avaliação do deputado estadual é de que o ex-senador e ele disputariam o mesmo eleitorado. Com isso, enfraquecendo ambas as candidaturas.
O Luzeiro disponibiliza a íntegra da carta de desistência de Alvaro Dias, com negrito nos trechos considerados mais pesados. Leia abaixo:
“Meus amigos e minhas amigas,
Ao longo da minha travessia na vida pública, aprendi que as maiores vitórias não são os cargos que ocupamos, mas a confiança que conquistamos das pessoas.
Nos últimos meses, acompanhei com humildade as manifestações de apoio reveladas por pesquisas de opinião mostrando meu nome em primeiro lugar, com significativa vantagem sob os demais candidatos, e isso muito me honra.
Não interpreto esses números como um prêmio pessoal, mas sim como o reconhecimento de uma história construída com trabalho, dedicação e compromisso com a nossa gente. Confesso que esse apoio despertou em mim uma profunda reflexão. Afinal, quem dedicou uma vida toda ao serviço público nunca deixa de sentir o chamado para continuar contribuindo.
Por isso respondi ao chamado. Mas também aprendi que nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da opinião pública. Na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a vontade dos políticos.
Infelizmente, compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome.
E eu jamais aceitarei ser motivo de divisão, ainda mais nessa altura da minha história. Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e por isso também não o farei agora.
Portanto, essa é uma decisão que talvez decepcione alguns amigos, mas que considero a mais correta diante das circunstâncias: não serei candidato.
Faço essa escolha com serenidade, sem qualquer sentimento de mágoa, ressentimento ou revolta. A política é feita de ciclos, e a grandeza de quem a exerce está justamente em saber reconhecer o momento de avançar e o momento de recuar. Saio desta decisão com a consciência tranquila. Minha história foi escrita ao lado da população, nas urnas, nas ruas e nas realizações que tivemos a oportunidade de construir juntos.
Continuarei acompanhando os destinos da nossa gente, do nosso Estado e do nosso país. Continuarei oferecendo minha experiência sempre que ela puder ser útil, sempre que requisitada, opinando quando for chamado, apoiando boas ideias e defendendo aquilo em que sempre acreditei.
Quero agradecer, de coração, a cada cidadão que manifestou confiança no meu nome. Esse gesto ficará para sempre guardado na minha memória e na minha história. Na política somos passageiros. Os mandatos passam. Mas os valores permanecem e eu não estou disposto a negociar os meus.
Por isso escolho ficar mais próximo das pessoas que me querem perto, da minha família, amigos e apoiadores de sempre.
Muito obrigado a todos. Que Deus abençoe cada família e continue iluminando os caminhos da nossa gente.
Curitiba, 03 de agosto de 2026.
Alvaro Dias


