A avaliação do eleitor paranaense sobre seus representantes no Senado começa a revelar um problema que deve ganhar espaço no debate eleitoral de 2026: o distanciamento entre os atuais senadores e a população do Paraná.
Pesquisa do Instituto IRG divulgada nesta quinta-feira (21) trouxe um dado novo para o cenário político paranaense ao medir a percepção da população sobre a atuação dos três senadores do Paraná. E os números reforçam uma avaliação que já vinha sendo discutida nos bastidores de algumas pré-campanhas: apesar da forte presença de pautas nacionais e ideológicas no debate político, os atuais mandatos apresentam baixa conexão prática com o eleitor paranaense.
Grande parte dos entrevistados sequer conseguiu avaliar a atuação dos senadores. Mais do que isso: mais de 90% afirmaram não conhecer nenhum projeto apresentado pelos representantes do Paraná no Senado.
Mesmo o senador Sergio Moro (PL), nacionalmente conhecido pela atuação na Operação Lava Jato, registrou 10,3% de entrevistados que não souberam avaliá-lo. Pré-candidato ao governo do Paraná, Moro aparece com aprovação de 54,6% e desaprovação de 35,1%. Apesar disso, 95% dos entrevistados afirmaram não conhecer nenhum projeto apresentado ou defendido pelo senador.
O distanciamento se torna ainda mais evidente na avaliação dos dois senadores que concluem seus mandatos em 2026.
Flávio Arns (PSB) tem aprovação de 36,4%, desaprovação de 32,8%, enquanto 30,8% disseram não saber opinar sobre sua atuação. Além disso, 93% dos entrevistados afirmaram não conhecer nenhum projeto ligado ao senador.
Já Oriovisto Guimarães (Podemos) apresentou o maior índice de desconhecimento: 46,9% dos entrevistados disseram não saber avaliar seu trabalho. Outros 32,2% desaprovam sua atuação e apenas 20,8% aprovam o mandato. Entre os mil entrevistados, 97,5% não conseguiram citar nenhum projeto apresentado pelo senador mais votado do Paraná nas eleições de 2018.
Os números ajudam a reforçar uma percepção já consolidada no ambiente político paranaense: a de que os atuais senadores não conseguiram construir junto ao eleitorado uma identidade clara de entregas concretas voltadas especificamente ao Paraná. E explicam porque Arns e Oriovisto abriram mão de tentar a reeleição.
A discussão ganha ainda mais relevância em um momento em que boa parte dos pré-candidatos ao Senado — tanto à direita quanto à esquerda — estrutura suas pré-campanhas em torno da polarização ideológica e de pautas nacionais, como os conflitos entre Congresso e Supremo Tribunal Federal, enquanto temas ligados diretamente ao desenvolvimento do estado e aos municípios acabam ficando em segundo plano.
Mais do que um dado estatístico, a pesquisa é interpretada nos bastidores como um alerta: o eleitor pode até acompanhar o debate ideológico nacional, mas espera que seus senadores olhem primeiro para o Paraná.
Dados obrigatórios da pesquisa
O levantamento do IRG Pesquisas foi feito com 1 mil entrevistas telefônicas, realizadas entre os dias 16 e 20 de maio. A pesquisa foi feita com recursos próprios e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-06178/2026. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%.


