A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu, nesta quarta-feira (8), o período de consulta pública sobre o processo de Revisão Tarifária Periódica da Copel. A proposta é de um aumento de, em média, 19,20% na tarifa, que passaria a valer a partir de 24 de junho.
Quem quiser contribuir com a discussão pode fazê-lo via e-mail até o dia 22 de maio, em um dos três endereços:
- cp005_2026rv@aneel.gov.br – para o tema Revisão Tarifária;
- cp005_2026et@aneel.gov.br – para o tema Estrutura Tarifária;
- cp005_2026pt@aneel.gov.br – para o tema Perdas Técnicas.
Além disso, no dia 29 de abril, haverá uma audiência pública presencial em Curitiba. A minuta de resolução e outras informações sobre a consulta serão publicadas na área de Consultas Públicas do portal da Aneel.
De acordo com a nota técnica da Aneel, os fatores que mais contribuíram para os índices de reajuste custos com transmissão de energia e encargos setoriais, além da retirada de componentes financeiros de processo tarifário anterior. Conforme a agência, na prática, a elevação deve ser de 19,03% para consumidores de baixa tensão e de 19,55% consumidores de alta tensão (grandes indústrias e empresas).
A Revisão Tarifária Periódica (RTP) é um processo previsto nos contratos de concessão para preservar o equilíbrio econômico financeiro da concessão. Ela é realizada, em média, a cada quatro anos e define: (i) o custo eficiente da distribuição (Parcela B); (ii) as metas de qualidade e de perdas de energia; e (iii) os componentes do Fator X para o ciclo tarifário.
Nos anos em que não RTP, é feito o Reajuste Tarifário Anual (RTA), que atualiza a Parcela B pelo índice de inflação estabelecida no contrato (IGP-M ou IPCA) menos o fator X (IGP-M/IPCA – Fator X). Em ambos os casos são repassados os custos com compra e transmissão de energia e os encargos setoriais que custeiam políticas públicas estabelecidas por meio de leis e decretos.
Procurada por O Luzeiro, a Copel argumentou que pediu o adiamento de parte do reajuste para não prejudicar ainda mais os consumidores. Segundo a empresa, sem isso, o aumento cheio poderia chegar a 26%. “Mesmo com o reajuste, cujo percentual ainda será definido pela Aneel, a tarifa no Paraná permanecerá entre as três mais baixas do Brasil”, argumentou a distribuidora.
Veja a íntegra da nota da Copel
A Copel esclarece que o reajuste da tarifa é definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em 2026, o índice apurado pela Aneel e em análise é de 19,2%. Esse índice ainda está sujeito à homologação pela própria agência de energia.
Com o objetivo de reduzir o impacto aos consumidores, que era inicialmente estimado em torno de 26% pela Aneel, a Copel solicitou a aplicação do diferimento máximo permitido, conforme as regras da própria agência reguladora.
Atualmente, o cliente paranaense paga a tarifa mais baixa do setor elétrico brasileiro. Mesmo com o reajuste, cujo percentual ainda será definido pela Aneel, a tarifa no Paraná permanecerá entre as três mais baixas do Brasil, em torno de R$ 0,76 para o consumidor residencial.
A tarifa de energia elétrica, definida pelo governo federal, é composta basicamente por três parcelas:
- o custo da energia para atendimento dos consumidores (que não está sob a gestão da Copel);
- os encargos definidos por políticas públicas federais (que não estão sob a gestão da Copel);
- a parcela que remunera a operação, manutenção e expansão das redes elétricas.
Na prática, de cada R$ 10 pagos pelo consumidor na conta de luz, cerca de R$ 2 correspondem a essa parcela que efetivamente remunera a Copel. É com esse percentual que a companhia realiza investimentos permanentes na operação, na manutenção e na expansão das redes de energia no Paraná.
Os cerca de 80% restantes da conta de luz são destinados ao sistema elétrico nacional para a compra e a transmissão da energia que será distribuída aos clientes, para o pagamento de encargos federais obrigatórios do setor e para os subsídios definidos pelo governo federal.
Os subsídios são custeados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal encargo setorial brasileiro, qual é pago por todos os consumidores de energia elétrica. A conta, criada em 2002 para financiar as políticas públicas e subsídios, é uma das principais responsáveis pela pressão de custos sobre as tarifas de energia.
Entre os subsídios, têm destaque os incentivos determinados pelo governo federal para custear a geração de energia solar. Esses incentivos beneficiam diretamente quem utiliza a energia de placas solares, mas são pagos por toda a sociedade. É a chamada geração distribuída, ou GD, sigla que define sistemas fotovoltaicos, ou seja, de energia solar instalados em residências, comércios e indústrias. Esse efeito não ocorre apenas no Paraná, mas em todo o País, e é resultado direto do modelo federal em vigor para a geração de energia solar.
Entre dezembro de 2020 e dezembro de 2025, o número de clientes beneficiários de energia solar multiplicou-se por quase 10 no Paraná. O total saltou de 55.202 para 528.493. Hoje, esse grupo já representa 10% da base de clientes do Estado e segue em ritmo acelerado de crescimento.
A Copel reforça que trabalha junto à Aneel, dentro das regras federais permitidas, para reduzir impactos tarifários, e reafirma seu compromisso com a transparência, a prestação de um serviço público essencial eficiente e a segurança energética para os consumidores paranaenses.


