A mais recente pesquisa Quaest, contratada pela RPC, indica que deve haver segundo turno na disputa pelo Governo do Paraná nas Eleições 2026. Os dados colocam o senador Sergio Moro (PL) ainda com uma confortável liderança, com 36% das intenções de voto. Na segunda posição, aparecem empatados numericamente, com 20%, o deputado estadual Requião Filho (PDT) e o deputado federal Sandro Alex (PSD), que é o nome do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) na corrida pelo Palácio Iguaçu.
O levantamento encomendado pela afiliada da Globo no Paraná veio em um momento de incertezas em relação a como estava o cenário eleitoral no Paraná. Resultados de pesquisas de institutos com menos tradição vinham colocando o ex-juiz da Lava Jato em uma situação de vitória iminente no primeiro turno, o que seria um triunfo histórico para o candidato do PL. E um desastre monumental para a chapa do governador. Ratinho Junior goza de aprovação popular em torno dos 80% e ver seu escolhido na própria sucessão ser derrotado dessa forma seria humilhante.
Os dados dos levantamentos que apontavam uma possível definição no primeiro turno foram seguidos de comportamentos mais exacerbados da campanha de Sandro Alex. A retórica das peças publicitárias se tornou mais beligerante e agressiva. Evidências (e apenas isso, evidências) de alguém que poderia estar recebendo nos trackings (pesquisas internas dos partidos, feitas com frequência muito maior que a das divulgadas ao público) números que não traziam boas notícias.
Outra evidência (e apenas isso, evidência) foi a busca do setor jurídico da candidatura do PSD de barrar a divulgação da pesquisa Quaest. Embora com os argumentos mais técnicos possíveis, até as pedras do jardim do Palácio Iguaçu sabem que o temor com um levantamento de instituto conceituado é mais com o resultado que ele trará do que com a metodologia.
A liderança de Moro é constante na disputa, até mesmo antes da fase de pré-candidaturas. A vantagem do senador é a questão que varia de acordo com o levantamento escolhido. Não cabe aqui apontar nomes, ou suspeitas, muito menos fazer qualquer tipo de acusação, mas a discrepância dos números era algo que já deveria estar no radar da Justiça Eleitoral. Mas, nossos magistrados seguem com as mãos ocupadas mediando picuinhas entre os candidatos.
Vale ressaltar que, se há pesquisas que colocam Moro disparado e perto da vitória no primeiro turno, há àquelas que mostram os competidores muito próximos ou quase empatados com o ex-juiz. E mais uma vez, é necessário repetir: isso deveria estar no radar da Justiça Eleitoral. Bem como as motivações para instituições estranhas ao Paraná bancarem pesquisas por aqui.
A Quaest indica segundo turno. Mas entre Sergio Moro e quem?
Passada a necessária análise do significado da Quaest para uma definição mais precisa do cenário, voltamos à proposta do título dessa análise. No provável segundo turno, quem será o adversário de Sergio Moro?
Comparando os dados da pesquisa mais recente com a anterior da Quaest (lembrem-se, pessoal, para movimentos dos candidatos, é prudente comparar apenas levantamentos do mesmo instituto), os adversários diretos de Sergio Moro tiveram comportamentos distintos. Sandro Alex tem uma curva ascendente, saindo de 15 para 20%. Já Requião Filho estagnou, saindo de 21 para 20%.
Isso significa que o candidato do PSD é quem vai ao eventual segundo turno com Sergio Moro? Não é possível, por óbvio, dizer isso. Mas certamente a análise das curvas aponta para uma tendência de favoritismo dele em relação a Requião Filho. No entanto, ainda temos pouco mais de uma semana de campanha, e isso é uma eternidade em termos de marketing político. Muita água ainda vai rolar embaixo dessa ponte.
O recrudescimento da campanha governista é mais um sinal de que a disputa com o candidato do PDT está totalmente em aberto. Além de indicar que a aposta do PSD é em tirar votos de Moro ainda no primeiro turno, poupando os ataques contra Requião Filho, de olho em para onde podem ir os votos dele na segunda etapa de votação.
Mas e no segundo turno, quem é o favorito?
Ao contrário de alguns institutos que aparentemente abdicaram de simular segundo turno, a Quaest questionou os entrevistados em três cenários, envolvendo os três primeiros colocados na disputa. Moro venceria os dois que é mencionado – 48 a 32% contra Requião Filho (com 12% de indecisos e 8% de branco/nulo) e 43 a 29% contra Sandro Alex (com 14% de indecisos e 14% de branco/nulo). Já Sandro Alex venceria Requião Filho, por 38 a 32% (15% de indecisos e 15% de branco/nulo).
A esse ponto, vou invocar o direito a usar um chavão: “segundo turno é uma nova eleição”. O certo é que, Sandro Alex ou Requião Filho, teriam que dialogar um com o público do outro, apelando fortemente para o sentimento antimorista e antilavajatista, que não é nada desprezível no Estado.
Curiosamente, ambo se dão por razões de fundo que não poderiam ser mais distintas. Os antimoristas consideram o ex-ministro da Justiça um traidor pela saída conturbada dele do governo Jair Bolsonaro (PL). Já os antilavajatistas condenam Moro como o ex-juiz responsável pela prisão do agora presidente Lula (PT).
A aliança de ocasião entre esses dois grupos pode fornecer a chave para os adversários de Moro, que até aqui navega tranquilo na disputa pelo Governo do Paraná. Resta saber se isso vai perdurar até o dia 25 de outubro, data do segundo turno das Eleições 2026.
Dados obrigatórios das pesquisas
A pesquisa Quaest desta quinta-feira (24) foi encomendada pela RPC, afiliada da Globo no Paraná, e entrevistou 804 eleitores entre os dias 20 e 23 de setembro. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-02802/26 e tem margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, em nível de confiança de 95%.
Já a pesquisa Quaest de 24 de agosto também foi encomendada pela RPC, sendo registrada no TSE sob o número PR-05388/2026. No levantamento, foram ouvidos 804 eleitores entre os dias 20 e 23 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, em nível de confiança de 95%.


