Vivemos em uma época em que quase tudo pode ser resolvido com rapidez. A comida chega em minutos. Uma mensagem pode ser respondida instantaneamente. Um filme começa no momento em que escolhemos assistir. Até um sonho de consumo pode ser realizado instantaneamente, em um clique impulsivo. Informações, entretenimento e distrações estão disponíveis a qualquer hora. E isso é ótimo, em muitos aspectos.
Mas talvez, sem perceber, também começamos a esperar essa mesma rapidez da nossa vida emocional e das nossas relações.
Sentimos ansiedade e queremos nos acalmar imediatamente. Sentimos tristeza e buscamos uma forma de fazê-la passar. Surge a insegurança e procuramos rapidamente recuperar a certeza. Diante de uma frustração, queremos encontrar uma solução antes mesmo de termos tempo para sentir o que aconteceu.
O problema é que emoções não funcionam como problemas técnicos. Nem tudo o que é desconfortável precisa ser eliminado imediatamente. Existe uma dificuldade crescente em aceitar que algumas experiências emocionais fazem parte da vida e não podem ser evitadas por completo.
Ansiedade antes de uma conversa importante. Medo diante de algo novo. Insegurança ao se expor. Tristeza depois de uma perda. Frustração quando algo não acontece como planejado. Esses são exemplos de emoções completamente proporcionais aos momentos vividos.
Elas são, sim, experiências desagradáveis e é natural desejar que desapareçam. A questão surge quando qualquer desconforto passa a ser interpretado como um sinal de que algo está errado. E a partir daí, sentir-se mal torna-se, por si só, um novo problema.
Em vez de apenas lidar com a ansiedade, surge a ansiedade por estar ansioso. Além da tristeza, aparece a necessidade de “superar logo”. À insegurança se soma a cobrança para ter certeza de tudo. O sofrimento original ganha, então, uma segunda camada: a luta contra aquilo que se está sentindo.
Na tentativa de se livrar rapidamente do desconforto, é comum recorrer à evitação. Adiamos uma conversa porque antecipamos a ansiedade. Desistimos de uma oportunidade porque a insegurança parece grande demais. Nos mantemos ocupados para não entrar em contato com a tristeza. Buscamos distrações constantes para não ficar sozinhos com os próprios pensamentos. Evitar pode produzir alívio imediato. E é justamente por isso que se torna tão sedutor e recorrente.
Mas nem sempre aquilo que evitamos deixa de existir. Em alguns casos, quanto mais tentamos não sentir determinada emoção, mais atenção passamos a dar a ela. O esforço para controlar completamente a experiência interna pode acabar mantendo o ciclo de sofrimento.
Por isso, é muito importante aprendermos a tolerar o desconforto. E isso não significa defender que as pessoas permaneçam em situações que causam sofrimento ou que deveriam ser modificadas. Tolerar não é se conformar.
Há muitas situações que realmente exigem ações: relações violentas, ambientes abusivos, condições injustas, limites que precisam ser estabelecidos.
Tolerar o desconforto significa outra coisa. É desenvolver a capacidade de permanecer diante de uma emoção difícil sem precisar fugir dela imediatamente. É perceber que sentir medo não obriga ninguém a desistir. Que a presença da ansiedade não significa, necessariamente, que existe perigo. Que a tristeza não precisa ser corrigida imediatamente. Algumas emoções precisam ser acolhidas antes de serem compreendidas ou eliminadas.
Se para você, assim como para muitas pessoas, tolerar o desconforto parece muito assustador, uma pergunta pode mudar a sua relação com o desconforto. Em momentos difíceis, uma pergunta costuma aparecer: “Como faço isso desaparecer?” Nem sempre há uma resposta simples e rápida. E, em algumas situações, talvez essa nem seja a pergunta mais útil. Uma alternativa é perguntar: “Como posso cuidar de mim enquanto atravesso isso?”
A mudança parece simples, mas representa uma relação diferente com as próprias emoções. Em vez de colocar a vida em espera até que o desconforto desapareça, é possível aprender a seguir vivendo mesmo na presença dele. Com apoio, cuidado e, quando necessário, ajuda profissional.
Nem todo desconforto é um sinal de que algo está errado. Às vezes, ele acompanha mudanças, decisões, perdas e experiências que fazem parte da própria vida. Outras vezes, é justamente o preço emocional de fazer algo importante: iniciar um novo projeto, dizer o que precisa ser dito, mudar uma rotina, estabelecer um limite ou se abrir para uma nova possibilidade.
Aprender a tolerar o desconforto talvez não signifique tornar a vida menos difícil. Mas pode significar algo importante: não precisar fugir de tudo aquilo que é difícil sentir.
Porque nem tudo precisa ser resolvido imediatamente. Algumas experiências precisam apenas de tempo para serem atravessadas.


