Para começarmos a coluna, peço que você olhe com atenção para a imagem abaixo.

O que você vê? Pense na primeira interpretação que lhe vem à mente, sem julgamento.
Talvez sua primeira impressão seja de um acontecimento ruim.
O que pode ter te levado a ter essa primeira impressão? Em que parte específica da imagem você se concentrou? Alguma memória lhe veio à mente?
Agora observe novamente e tente encontrar pelo menos outras três interpretações sobre o que pode estar acontecendo na imagem.
A imagem é ambígua de propósito. E é um ótimo exemplo de algo que nossa mente faz o tempo inteiro: recebe algumas informações e constrói uma história para preencher aquilo que não sabe. E o problema começa quando esquecemos que construímos a história e passamos a tratá-la como realidade.
Na psicologia, chamamos isso de pensamentos automáticos. São pensamentos que aparecem espontaneamente diante das situações do cotidiano. Não decidimos conscientemente produzi-los e, muitas vezes, sequer percebemos que estão acontecendo.
Imagine que você mande uma mensagem importante para alguém e a pessoa não responda. O fato é: ela ainda não respondeu. Mas sua mente pode acrescentar: “Ela está brava comigo”, “Eu falei alguma coisa errada” ou então “Ela está me evitando”.
Em poucos segundos, deixamos de reagir ao fato, que foi uma mensagem sem resposta, e começamos a reagir à interpretação que construímos sobre ele. E isso acontece em inúmeras situações.
Seu chefe pede para conversar e você pensa: “Eu fiz alguma coisa errada”.
Alguém fica mais quieto e você conclui: “Essa pessoa está chateada comigo”.
Você comete um erro e pensa: “Eu sou incompetente”.
Algo dá errado e surge: “Nada dá certo para mim”.
O pensamento pode provocar ansiedade, tristeza, raiva ou insegurança como se aquilo que ele diz já estivesse comprovado, como se fosse a realidade. Mas o pensamento não é fato.
Isso também não significa que devemos simplesmente substituir todo pensamento negativo por um pensamento positivo. A proposta não é olhar para uma situação difícil e sempre repetir que “vai ficar tudo bem”. A proposta é muito mais realista: aprender a examinar aquilo que pensamos.
Que evidências sustentam essa conclusão? Há evidências que apontam para outra possibilidade? Estou descrevendo um fato ou fazendo uma interpretação? Existe alguma outra explicação possível? Se uma pessoa que eu gosto estivesse vivendo exatamente essa situação, eu chegaria à mesma conclusão?
Esse pequeno espaço entre pensar alguma coisa e acreditar automaticamente nela pode fazer uma enorme diferença. Porque nossos pensamentos influenciam a maneira como nos sentimos e também como agimos. Quando mudamos a forma de olhar para uma situação, podemos mudar também nossa resposta emocional e comportamental.
Da próxima vez que um pensamento provocar uma emoção muito intensa, portanto, talvez valha a pena não tentar expulsá-lo nem aceitá-lo imediatamente como verdade.
Pare e pergunte: “Isso aconteceu ou é a história que minha mente está contando sobre o que aconteceu?”
Às vezes, basta olhar uma segunda vez para perceber que a cena pode ser bem diferente daquilo que vimos na primeira.


