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Eleições e a Democracia dos Dados: a sociedade como sistema inteligente (ou manipulável)

Homem programa uma urna eletrônica, do modelo que será usado nas eleições 2026
Até chegar às urnas em outubro, os eleitores brasileiros vão enfrentar uma campanha repleta de desafios com o uso da Inteligência Artificial nas campanhas - Foto: Alejandro Zambrana/TSE

Rafael de Tarso

Tenho comentado com alguns amigos e demais pessoas do meu círculo social que as Eleições 2026 e a democracia de dados serão o teste definitivo da maturidade digital brasileira.

Digo isso não apenas pelo cenário político extremamente polarizado que temos visto nos últimos pleitos, mas porque, pela primeira vez, teremos uma eleição nacional atravessada por Inteligência Artificial (IA) generativa barata, acessível e massificada.

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Deepfakes de voz e vídeo, conteúdos hipersegmentados, narrativas adaptadas em segundos para públicos diferentes, são apenas alguns exemplos do que está por vir. Sem dúvida, a IA vai ser amplamente utilizada para adaptação de peças e versões diferentes do mesmo conteúdo.

Ou seja, a pergunta não é mais se isso vai acontecer. A pergunta é: o que faremos com isso?

A nova engenharia da influência: dados, atenção e emoção

Observo que vivemos hoje a era da “clusterização” política. Nesse cenário, campanhas deixam de falar “com o Brasil” e passam a falar com microgrupos altamente segmentados.

Hoje, 39% dos brasileiros já usam redes sociais como principal fonte de informação política (Fonte: Quaest/Poder 360). A TV perde, cada vez mais, centralidade. A atenção virou ativo estratégico.

Com dados e IA, torna-se possível:

  • Identificar perfis mais influenciáveis
  • Adaptar mensagens por região, renda, valores e crenças
  • Reforçar bolhas ideológicas
  • Amplificar emoções, especialmente medo e indignação

Em linhas gerais, isso significa que a democracia, que sempre foi um sistema social, passa a operar como um sistema de dados. E dados, meus caros, organizam comportamentos.

O desafio ético das IAs políticas e dos deepfakes

Uma matéria do site Poder 360 que li recentemente revelou que os marqueteiros dos principais partidos políticos brasileiros já projetam uma “guerra de IA” em 2026. Não é teoria. O que está em jogo é planejamento estratégico.

O documentário Democracias Artificiais: Eleições na era da IA, que eu indico para quem deseja se aprofundar nesse tema, discute exatamente isso: como tecnologias generativas podem interferir na percepção pública e na legitimidade do processo democrático.

O problema não é a ferramenta em si. É a intencionalidade.

Com 45 dias oficiais de campanha, o incentivo ao impacto rápido é enorme. Um vídeo falso viralizado na última semana pode influenciar milhares de eleitores antes que qualquer checagem aconteça. O custo da desinformação caiu drasticamente.

E aqui surge um ponto central: não basta punir depois. É preciso formar antes.

O eleitor como usuário: o voto como experiência de interface

Eu costumo dizer que o voto ainda é humano, mas a consciência precisa ser digital.

Boa parte do eleitor, hoje, se comporta como usuário. Ele consome shorts, reels, cortes, fragmentos. A política virou interface.

Se tem vídeo, parece verdadeiro.

Se tem voz, parece autêntico.

O desafio é transformar o eleitor de consumidor passivo em agente crítico. Não se trata de decidir em quem votar. Trata-se de decidir por que votar.

Se alguém escolher um candidato por convicção ideológica, tudo bem. O risco maior, a meu ver, está em escolher por manipulação algorítmica.

Transparência algorítmica e educação digital

A Justiça Eleitoral brasileira já possui diretrizes para identificação de conteúdo patrocinado e uso de IA. Penso que as regras são muito importantes, porém não bastam.

Eu defendo que empresas, escolas e organizações também assumam papel ativo na educação cívica digital. Essas instituições podem, por exemplo, desenvolver e disseminar cartilhas simples, campanhas internas, debates sobre fake news. Não para direcionar voto, mas para fortalecer o discernimento.

A democracia sempre foi uma tecnologia social. Agora, ela precisa ser também uma experiência de dados conscientes.

A escolha que define 2026

As Eleições 2026 e a democracia de dados não serão apenas sobre candidatos. Serão sobre maturidade coletiva.

Sim, a IA pode:

  • Manipular percepções
  • Amplificar bolhas
  • Criar realidades sintéticas

Mas também pode:

  • Explicar políticas públicas
  • Comparar propostas
  • Democratizar acesso à informação

Depende de como decidimos usá-la.

Acredito que a democracia continuará sendo humana. A questão central é se seremos inteligentes ou apenas programáveis

Até porque, no fim das contas, o dado que mais importa é o da consciência – e este, meus amigos, não pode ser manipulado.

Faz sentido para você? Qual é a sua opinião a respeito? 

Este artigo foi o terceiro e último da nossa trilogia 2025-2026 intitulada “Dados, Decisões e Experiências Humanas”. Entre dezembro e fevereiro, fiz três textos acerca de três momentos decisivos. Leia abaixo os outros dois:

E este sobre Eleições e Democracia de Dados, que você acaba de ler. Espero ter contribuído para a sua reflexão. Até a próxima! 

Rafael de Tarso é palestrante, consultor e professor com mais de 20 anos de experiência em inovação, transformação digital e Indústria 4.0. Já impactou mais de 180 empresas e 6 mil alunos em cursos, workshops e mentorias em todo o Brasil. Atua como assessor na Defensoria Pública do Paraná, liderando iniciativas de inovação e transformação digital no judiciário. Cofundador de startups e programas de inovação, também é professor em MBAs da FGV, PUCPR e ISAE-FGV.

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