A 30ª edição da Sondagem Industrial da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) registrou uma queda de seis pontos percentuais, de 61 para 54,3%, dos industriais paranaenses que estão otimistas com relação ao desempenho das seus negócios em 2026. Os resultados da pesquisa foram divulgados pela entidade nesta segunda-feira (2)
O levantamento, feito com 738 empresários de todo o Estado, apontou ainda que 33% estão com expectativas neutras para o ano, um aumento de 3 pontos em relação aos 30% do ano passado. Já os pessimistas aumentaram para 12,09% em relação aos 8,23% de 2025.
O perda de otimismo no setor está diretamente relacionado às expectativas para o desempenho da economia brasileira. Segundo a sondagem, 21,8% dos empresários consultados esperam que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça este ano, com 1,8% esperando forte expansão. Já 30,4% esperam estabilidade, 32,6% que haja retração e 13,5% que apostam que ocorrerá uma forte retração.
Quando questionados sobre que fatores mais influenciaram suas expectativas, 61,2% apontou a política nacional, com 25,6% apontando para a economia do País. Já 7% apontaram a geopolítica mundial e 6,2% a economia internacional. Vale lembrar que 2026 é ano de eleição para presidente e o Congresso Nacional, em um pleito que, pelo histórico, mexerá com novamente com as paixões políticas dos brasileiros.
Enquanto instituição, a Fiep atribui a redução do otimismo a um cenário de instabilidade provocado, principalmente, pela condução da política econômica federal. “Questões macroeconômicas como o desequilíbrio fiscal, o recorrente aumento de tributos sobre o setor produtivo e a elevada taxa básica de juros cada vez mais sufocam as indústrias e minam a competitividade do setor”, afirmou o presidente do Sistema Fiep, Edson Vasconcelos.
“Tudo isso é fruto principalmente da falta de competência na condução da política econômica do País, com uma estratégia de sustentação do crescimento do PIB nacional por meio do gasto público descontrolado e pouco eficiente”, completou.
Em entrevista coletiva realizada nesta manhã, Vasconcelos fez repetidas críticas ao Bolsa Família, dizendo que, embora seja uma política social eficiente, é necessário que haja uma “porta de saída” do programa e que seja feito um pente-fino para detectar fraudes.
As críticas estão relacionadas à falta de mão de obra para o setor, que foi apontada por ele como um dos fatores mais preocupantes para a indústria paranaense este ano. O presidente da Fiep também aponta como desafios os problemas de disponibilidade de energia elétrica e o peso dos custos logísticos.
Intenção de investimento segue em alta
Mesmo com o otimismo menor, 83,7% dos empresários ouvidos pela sondagem da Fiep afirmaram que pretendem realizar investimentos em seus negócios em 2026. Deste percentual, 59% investirão o mesmo ou mais do que no ano passado. Já 24,7% investirá menos do que em 2025. E 16,3% não realizará investimentos até o final do ano.
As prioridades dos empresários que irão investir estão nas categorias melhoria de processos, produtos ou serviços (63,1%); redução de custo de produção (46,3%); prospecção de mercados (44,5%); ampliação de capacidade produtiva – ex: máquinas e equipamentos (37,8%); melhoria na qualidade (34,6%); modelo de negócio e comercialização (33,7%); valorização do capital humano (27,7%), entre outros.
As principais fontes de recursos para investimentos são os recursos próprios (56,3%); os bancos de fomento/investimento (23,1%); as cooperativas de crédito (14%); bancos de varejo tradicionais (5,3%); fundos de investimento/abertura de capital (1,1%), e fintechs (0,2%).
Planos de exportação sofrem baque com cenário internacional
De acordo com a Sondagem Industrial 2026, somente 30% das indústrias paranaenses têm planos de exportar seus produtos – uma queda brusca diante dos 47% no ano anterior. Entre as que pretendem vender ao exterior, 55,2% irão comercializar insumos e matérias-primas; 26,2% máquinas e equipamentos; 10,9% serviços e 7,7% tecnologia (conhecimento).
A intenção de importar também teve queda, de 58%, em 2025, para 44% este ano. Na pauta de compras dos empresários estão insumos e matérias-primas (45,7%); máquinas e equipamentos (30,9%); produtos acabados (17,5%); tecnologia – conhecimento (5,2%) e serviços (0,7%).
Segundo a Fiep, a incerteza do cenário internacional, principalmente com as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, afetou a percepção dos industriais paranaenses.
71% não conhece impactos da Reforma Tributária
Uma novidade da Sondagem Industrial deste ano foi a inclusão de perguntas relativas à Reforma Tributária, que em 2026 entrou em fase de transição, que deve durar até 2033.
E os resultados são preocupantes. 70,6% dos respondentes do levantamento afirmaram não conhecer todos os pontos que as mudanças vão impactar na economia e em seu próprio negócio. Na segmentação dos que não sabem, há uma maioria de micro e pequenos negócios (76%), com o índice caindo entre médias (64%) e grandes empresas (41%).
Ainda, 45% dos empresários afirmou que a reforma será positiva para a economia brasileira, com 39% dizendo que as mudanças serão positivas para os próprios negócios. Já 54% afirmou que, depois do fim da transição, haverá redução da carga tributária no País.
Dados da pesquisa
A Sondagem Industrial 2026 foi realizada por meio de questionário eletrônico, obtendo 738 respostas válidas. Em termos estatísticos, esse resultado representa 99% de confiabilidade, com margem de erro de 4,7%.
Segundo a Fiep, participaram da pesquisa indústrias de todos os portes e de todas as regiões do estado, sendo que as micro e pequenas indústrias representaram 68% das respostas, enquanto as médias são 27% e as grandes 5%.


