As cervejas artesanais produzidas em Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná, receberam oficialmente, na semana passada, o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). E trata-se de um feito inédito, pois é a primeira Indicação Geográfica do Brasil dedicada às cervejas artesanais.
O registro reconhece a reputação da produção cervejeira e sua relação com o território do município. O pedido foi protocolado em maio de 2025 pela Associação das Cervejarias de Guarapuava (Guaracerva) e aprovado após análise técnica do Inpi.
Com o registro, as cervejarias autorizadas poderão utilizar o selo da Indicação Geográfica em seus rótulos, reforçando a procedência dos produtos e agregando valor à produção local. Neste primeiro momento, estão habilitadas a utilizar a identificação as marcas Metzgerbier, Jordana, Água do Monge, Hank Bier, Irmandade, Heimdall, Suabia, Donau Bier e Over Beer.
Com esse reconhecimento, Guarapuava reforça sua posição como Capital Nacional da Cevada e do Malte e amplia as perspectivas para o turismo gastronômico e para o desenvolvimento da cadeia produtiva regional. Atualmente, o município reúne nove cervejarias artesanais, que geram cerca de 150 empregos diretos e movimentam mais de R$ 2,5 milhões por mês.
O caminho até o reconhecimento
O processo de obtenção da Indicação Geográfica teve início com um diagnóstico técnico de potencialidade, realizado com o apoio do Sebrae-PR.
A análise considerou aspectos como a reputação das cervejas, sua relação com o território, a organização coletiva dos produtores e a importância de proteger a identidade da produção local. Com o registro, a expectativa é ampliar a competitividade das cervejarias nos mercados nacional e internacional e consolidar Guarapuava como referência brasileira no segmento.
Para a presidente da Guaracerva e proprietária da Água do Monge Cervejaria, Larissa Vier, o registro é resultado de uma trajetória construída coletivamente pelo setor. Ela destaca que a cadeia produtiva está presente em Guarapuava, desde o plantio da cevada e a produção do malte até a fabricação da cerveja.
Origem da tradição cervejeira
A tradição cervejeira de Guarapuava tem origem na imigração europeia, especialmente de alemães, suíços e suábios do Danúbio, que trouxeram à região conhecimentos e técnicas seculares de produção da bebida.
Em meados do século XX, a fabricação era predominantemente artesanal e destinada ao consumo das próprias comunidades de imigrantes. Com o passar dos anos, essa tradição se consolidou e deu origem a um setor profissional, marcado pelo surgimento de cervejarias como a Donau Bier, fundada em 2004 e orientada pela Lei da Pureza Alemã, e a Jordana Bier, criada em 2014, primeira cervejaria regularizada na área urbana do município.
“As cervejarias da região têm como vocação a produção em pequenos lotes, com métodos tradicionais que garantem resultados não alcançados em larga escala. No universo cervejeiro, os ingredientes, as técnicas e os processos fazem toda a diferença, e a IG reconhece justamente essa identidade e esse cuidado. Esse selo reforça nossa diferenciação nos mercados e mostra que nossas cervejas são feitas sob outra ótica, com qualidade e singularidade”, disse o empresário Ricardo de Almeida Lima, da Irmandade Cervejaria.
O consultor do Sebrae-PR, Heverson Miloch, destaca que o registro reconhece a excelência e a singularidade das cervejas artesanais de Guarapuava e, sobretudo, evidencia a força da articulação entre empreendedores, instituições parceiras e poder público. “Quando diferentes atores se mobilizam em torno de um propósito comum, os resultados se traduzem em desenvolvimento, valorização do território e novas oportunidades”, afirmou.
Paraná é o líder do Brasil em Indicações Geográficas
Com a conquista das cervejas artesanais de Guarapuava, o Brasil passa a contar com 167 Indicações Geográficas nacionais, das quais 28 estão no Paraná, Estado com o maior número de registros no País. Ao considerar também as 11 Indicações Geográficas estrangeiras reconhecidas pelo Inpi, o total chega a 178 registros.
No Estado, já são reconhecidos o pão no bafo de Palmeira; o couro de peixe de Pontal do Paraná; o ginseng de Querência do Norte; o café da Serra de Apucarana; as tortas de Carambeí; as ostras do Cabaraquara; a ponkan de Cerro Azul; as broas de centeio de Curitiba; a cracóvia de Prudentópolis; a carne de onça de Curitiba; o café de Mandaguari; o urucum de Paranacity; o queijo colonial do Sudoeste do Paraná; o mel de Ortigueira; os queijos coloniais de Witmarsum; a cachaça e a aguardente de Morretes; o melado de Capanema; os vinhos de Bituruna; o mel do Oeste do Paraná; o barreado do Litoral do Paraná; a bala de banana de Antonina; a erva-mate São Matheus; a camomila de Mandirituba; as uvas finas de Marialva; os cafés especiais do Norte Pioneiro; o morango do Norte Pioneiro; a goiaba de Carlópolis; e, agora, as cervejas artesanais de Guarapuava.
Há, ainda, o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, Indicação Geográfica concedida a Santa Catarina, mas que também abrange municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Com informações do Sebrae-PR


