A Band Paraná realizou neste domingo (9) o primeiro debate com candidatos ao Governo do Paraná das Eleições 2026. Já é tradição a emissora abrir as discussões eleitorais brasileiras, realizando o encontro com os postulantes ao cargo logo após o término das convenções partidárias. E, como de costume, é praxe fazer análise sobre quem ganhou e quem perdeu nas discussões. O Luzeiro não vai ficar em cima do muro e lista neste texto suas impressões do primeiro embate entre os candidatos ao Palácio Iguaçu.
Este ano, foram convidados os três candidatos na disputa que cumprem os critérios de participação obrigatórios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL). Horas antes do início do programa, Moro anunciou, por meio de suas redes sociais, que não participaria, alegando um suposto jogo combinado entre “PT e PSD” contra si.
Desta forma, o debate da Band Paraná ficou num modelo mais parecido com o realizado em segundos turnos, como um candidato contra o outro. A mudança da dinâmica parece ter incomodado Requião Filho e Sandro Alex, que por vezes giravam em torno de temas confortáveis, sem avançar ou aprofundar a discussão. Veja abaixo quem são os ganhadores e perdedores do programa de domingo:
Quem ganhou com o debate da Band Paraná
Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD)
Apenas por comparecerem, os candidatos de PDT e PSD já ganham pontos com o eleitor que assiste ou acompanha repercussões de debates. Sabemos que não é uma parcela tão significativa, mas geralmente é composta por pessoas com maior potencial para serem formadores de opinião.
O poder de multiplicação atualmente das redes sociais também vai fazer com que a desistência de Sergio Moro seja explorada pelas campanhas, tanto de forma direta (próprios perfis dos candidatos) como de forma indireta (por formadores de opinião associados).
Por se disporem a ir ao debate e encarar um ao outro, Sandro Alex e Requião Filho já angariam pontos com os eleitores que ainda não definiram voto e querem ouvir quais as propostas cada um dos candidatos está trazendo para o Paraná.
Quem perdeu com o debate da Band Paraná
Sergio Moro (PL)
O candidato do PL desistiu horas antes de participar do debate e recebeu críticas severas nas suas redes sociais. Moro também apelou para a retórica de que existe um acordo “PSD e PT” contra si, recorrendo a um expediente que foi tentado, sem sucesso, pela jornalista Cristina Graeml durante a campanha para prefeito em Curitiba, nas Eleições 2024.
Ao que parece, a intenção do senador é tentar se isolar como candidato único no campo da direita, buscando replicar a polarização nacional por aqui. Dessa forma, tentando pintar Sandro Alex (PSD), candidato do governador Ratinho Junior, como alguém do espectro da esquerda, nas mesmas cores que o deputado estadual Requião FIlho (PDT) – que de fato tem o apoio do PT.
A falha desse tipo de tática na eleição da capital há dois anos, e a própria presença de Cristina Graeml no do PSD, mostra que há um risco imbuído neste tipo de tentativa. Embora não seja dos mais ferrenhos críticos do governo Lula, Ratinho Junior está longe de ser aliado do presidente. Além de, por ser governador, precisar manter uma relação institucional com Brasília.
Sob fogo após gafes em entrevistas, o candidato do PL também deu margem para o reforço do questionamento de que não conhece o Paraná, algo que seus adversários já estão batendo com força.
O eleitor paranaense
Embora tenham comparecido, não há como negar que Sandro Alex e Requião Filho fizeram um debate muito pobre de ideias na Band Paraná. No final das contas, acabou sendo uma batalha de gestões, com o pedetista trazendo a memória do pai e atacando a gestão Ratinho Junior e o candidato governista fazendo a defesa da gestão e exaltando realizações de seu padrinho político.
Faltaram temas importantes para a população, como saúde, e assuntos cruciais para o futuro financeiro do Estado, como a implementação da Reforma Tributária. Em segurança, houve discussão bastante superficial, focando em reestruturação da carreira de policiais e equipamentos. O avanço das facções criminosas e domínio delas sobre o sistema prisional sequer foram abordados.
Em educação, Requião Filho chegou a mencionar valorização salarial aos professores, mas o tema também acabou centrado em escolas cívico-militares, que são uma fração da rede estadual de ensino. Sandro Alex comemorou indicadores, como a liderança paranaense no Ideb, mas passou longe de discutir melhorias de condições de trabalho para os docentes.
Em infraestrutura, os candidatos também se dedicaram mais a falar sobre o passado do que o futuro. Sandro Alex chegou a mencionar obras importantes que estão planejadas, mas omitindo que a maioria faz parte do pacote de concessões do pedágio e não será tocada pelo Governo do Paraná. Já Requião Filho lembrou que o pai usou verbas estaduais para a duplicação do corredor BR-376/BR-101 para Santa Catarina, uma obra que foi feita há décadas.
Resumindo: o eleitor que sintonizou o debate esperava ver propostas para o futuro, algo a mais que uma simples comparação entre os governos Roberto Requião e Ratinho Junior. Mas, infelizmente, ficou a ver navios.
O próprio debate
A fuga de Sergio Moro (PL) com certeza contribuiu para tornar o debate da Band Paraná algo mais maçante que o previsto. Mas, não há dúvidas que faltou direcionamento nas discussões. Um sorteio para escolher o tema das perguntas seria importante para evitar que os candidatos ficassem apenas nas suas zonas de conforto.
No debate em São Paulo, entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), foi testado um modelo diferente, com relógio mais livre e com o candidato controlando seu tempo para perguntas e respostas. Também houve um bloco de perguntas programáticas e questionamentos feitos por jornalistas, de forma a diversificar os temas em discussão.
É de se esperar que os próximos debates marcados para o primeiro turno – Ric Record (21 de setembro) e RPC/Globo (29 de setembro) – busquem modelos que obriguem os candidatos ao Governo do Paraná a discutir com maior profundidade os temas importantes ao Estado.


