Quando escrevo essa coluna, o atacante Bruninho, do Athletico, já está na Europa fazendo exames médicos para se transferir ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Os valores do negócio não foram confirmados, mas podem chegar aos 15 milhões de euros (cerca de R$ 90 milhões).
Grana suficiente para colocar Bruninho, de 17 anos, no rol das cinco maiores vendas da história do Furacão. E, também, para satisfazer uma leva de torcedores modernos que parecem gostar mais de dinheiro do que de títulos.
O cenário atual do futebol faz com que os clubes europeus mapeiem seus alvos na América do Sul cada vez mais cedo. Não comparando o nível dos jogadores, mas Estevão, do Chelsea, e Endrick, do Lyon, empresado pelo Real Madrid, por exemplo, foram vendidos pelo Palmeiras também com 17 anos.
É claro que um menino como Bruninho, que ainda não tem dez jogos como profissional e atuou apenas duas vezes na Seleção sub-20, poderia evoluir e render bem mais tecnicamente se ficasse ao menos um ano completo no profissional rubro-negro.
Mas, o mercado do chatíssimo futebol moderno não enxerga assim. Os empresários já estão de olho no lucro há muito tempo. A família do atleta, e o jogador em si, já começam a se ver na Europa num futuro próximo. E o clube, sem pulso firme desde as recentes tumultuadas renovações de contrato do atacante, já imagina o melhor sendo engordar o caixa.
Tudo se conecta para uma parte dos torcedores, que gostam de provocar rivais com as planilhas de balanços financeiros, e só falta pegarem linha e agulha para bordar um cifrão na camisa do time. “É assim que o clube se mantém estruturado e pode contratar outros bons jogadores”. Será? Mas, é assim também que os talentos brasileiros vão cada vez mais cedo pra longe de onde se formaram.
As narrativas de péssimo comportamento e incorrigível ação para um rapaz de 17 anos não colam completamente. Ainda menor de idade, Bruninho não pode dirigir, assim como não pode se exigir dele a maturidade de outros jogadores, bem mais velhos.
Que seja feliz por onde ande, encha o bolso dele e de muita gente de dinheiro. Por aqui, seguimos cutucando os torcedores de cifrão.


