Quando saíram de Londrina para pisar, pela primeira vez, em um dos principais palcos do Festival de Curitiba — as ruas da Capital —, as dançarinas Lena Silverman e Luana Almeida formavam um duo e vinham com a missão de apresentar um único espetáculo — Moridjane. Agora, um ano mais tarde, elas voltam a Curitiba e ao Festival com uma formação mais robusta sob o nome Cia. Moonlight e conduzem uma mostra completa no Fringe.
Intitulada Africanidades, a mostra conta com quatro espetáculos e duas oficinas, e vai ocorrer a partir desta quarta-feira (1º) até sábado (4), no Miniauditório Glauco Flores de Sá Brito — o Miniauditório do Guaíra. O ponto comum entre as atividades é a celebração da ancestralidade e da criação artística negras, que move Lena e Luana, ambas mulheres negras, desde o início de suas trajetórias na dança — a primeira partindo das danças afro e da capoeira e a segunda, das danças urbanas.
“Fazemos parte dessa história, só que grande parte dela foi apagada ou demonizada. Aí, precisamos que a beleza da nossa existência seja celebrada, respeitada, honrada — e o primeiro passo é nós fazermos isso por nós, mas sempre com a esperança de inspirar o outro”, diz Lena, que também é diretora artística da companhia.
A mostra tem a dança como ponto de partida, por isso três dos quatro espetáculos são focados nela. Contudo, a ideia era não se restringir a essa forma de expressão, por isso há também uma performance de slam conduzida por Luis Sandrim — que também ministra a oficina de escrita poética e poesia falada. “Nossa arte não se limita a um quadrado, é expansiva”, resume Luana, que também é diretora executiva da companhia.
Exceto pelo espetáculo Aséstral, que custa R$ 5 (meia-entrada), as atrações trabalham com a contribuição espontânea do público. “Tudo o que fazemos é para ser acessível para todos, priorizamos bastante isso. Mas isso não significa que não precisamos de recursos. O ingresso é acessível, mas sempre tem espaço para apoiar os artistas”, finaliza Lena.

Conheça os espetáculos
Oriundina — O espetáculo multimídia que investiga o resgate da memória e a jornada de retorno ao lugar de origem ao apresentar duas mulheres negras em busca de um lugar ou sensação supostamente distante e desconhecida. Elas viajam pelo espaço e tempo, perdendo-se e reencontrando-se em mundos diferentes, porém não sabemos onde essa história começa nem termina. “Oriundina” nos lembra que, independentemente da distância, temos sempre uma profunda conexão com as nossas origens.
Lena recebeu o prêmio de mentoria 2023 do Upsurge Dance Festival para criar “Oriundina”, por meio de uma mentoria com a coreógrafa Tamica Washington, do “Lula Washington Dance Theater”. Originalmente criado para o palco como solo, logo adaptado para ser dueto, e logo transformado para a câmera em forma de videodança, “Oriundina” é uma obra sempre em metamorfose.
Valor: Contribuição espontânea
1 de abril – 20h
Água Fria — Solo de Luís Sandrim, um mergulho no autoconhecimento racial, descrevendo a sensação de ‘não lugar’, vivido por pessoas negras frutos de uma miscigenação, através do Spoken word (poesia falada) o ator constrói uma narrativa corporal e contada que percorre sua experiência pessoal para falar do todo e cria imagens sonoras que dialogam com o signo do mar, de forma poética para homenagear aqueles ancestrais que “escolheram” o mar ao invés da escravidão.
A apresentação terá duração de 10 minutos e o artista propõe um bate papo com o público, no qual é prevista a presença de pessoas que estiveram na oficina, a fim de compartilhar suas reflexões e debaterem sobre os temas levantados na poesia.
Valor: Contribuição espontânea
2 de abril – 20h
SOUL/L — Soul em inglês significa a essência da vida. SOU do ‘eu sou’. L é a primeira letra do meu nome. Este soul-o começou com a pergunta “quem sou ‘eu’?. O que está no núcleo de ‘eu’, quem faz de você ‘eu’, quantos ‘eus’ podem existir dentro de nós? A linhagem e a conexão ancestral são vitais para encontrar ‘eu’. O ‘eu’ assume muitas formas, e está sempre em confronto consigo mesmo. Nossas sombras compõem o ‘eu’ tanto quanto as nossas partes mais brilhantes. Nosso passado, presente e futuro estão todos ativos simultaneamente. Apoio e direção estão sempre presentes. Este é um autorretrato. Ao compartilhar minha jornada até ‘eu’, os observadores também podem encontrar ‘eu’. Este trabalho foi feito em colaboração e é dedicado aos meus ancestrais, que continuam possibilitando que eu floresça aqui!
Valor: Contribuição espontânea
2 de abril – 20h
Aséstral — Espetáculo de dança afro contemporânea em que corpos negros se movimentam na mesma intenção: resgate e transmissão. No processo investigamos e nos perguntamos: o que foi deixado para as nossas gerações pela ancestralidade? O que deixaremos para as próximas? “Aséstral” é uma fusão das variadas linguagens que compõem o grupo de participantes, com um olhar distintamente afro diaspórico. Usando o corpo em movimento para pintar o espaço, a peça traz de forma visual e simbólica os rastros deixados pelos nossos ancestrais, quase como uma forma de nos mostrar a direção.
Aséstral é repleta de simbolismos, e quase como um ritual, ela nos convida a olhar para quem somos: somos um, composto por uma multidão.
Valor: R$ 5
3 de abril – 20h
4 de abril – 20h
Conheça as oficinas
Oficina de Escrita Poética e Poesia Falada — A atividade propõe uma experiência imersiva de escrita e performance, explorando caminhos para fortalecer a autoria poética e ampliar a expressividade do corpo e da voz.
Valor: Contribuição espontânea
2 de abril – 14h
Inscrições pelo site: www.festivaldecuritiba.com.br
Oficina de Dança Afro — A atividade propõe uma imersão nas corporalidades da diáspora africana, conectando tradição e contemporaneidade por meio do movimento, da escuta do corpo e da ancestralidade como linguagem viva.
Valor: Contribuição espontânea
4 de abril – 14h
Inscrições pelo site: www.festivaldecuritiba.com.br


