Fazendo valer o ditado “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”, o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) anunciou, na última segunda-feira (23), que não disputará a Presidência da República em outubro. Mais: anunciou que permanecerá no Governo do Estado até o dia 31 de dezembro, não se desincompatibilizando para as eleições deste ano. Ele poderia, por exemplo, concorrer ao Senado, com amplo favoritismo.
Questões familiares foi o argumento principal da nota oficial emitida pelo governador, mas o quadro eleitoral no Paraná também pesou, e muito, para o recuo. Ratinho Junior vai focar, agora, em tentar eleger seu sucessor no Governo do Paraná.
Com a polarização cristalizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no cenário nacional, e com o senador Sergio Moro – que se filia ao PL nesta terça-feira – liderando todas as pesquisas da corrida pelo Palácio Iguaçu, Ratinho Junior precisou agir para tentar evitar duas iminentes derrotas. E priorizou o projeto local, deixando claro que não está disposto a perder o domínio político no Paraná.
Mas, para isso, falta uma decisão fundamental: quem será seu candidato ao Governo do Estado?
A permanência de Ratinho Junior no Palácio Iguaçu até o fim do ano reanima os entusiastas da candidatura de Guto Silva. Seu núcleo duro avalia que, com o governador como cabo eleitoral, carregando Guto pelo Estado durante toda a campanha – e a pré-campanha -, concentrado apenas na eleição estadual, o secretário das Cidades conseguirá, enfim, arrancar nas pesquisas e tornar-se um candidato competitivo.
A esperança é na transferência de votos e no peso da máquina estadual. Um movimento que, se não produzir resultado em curto prazo, pode transformar a aposta em um risco elevado demais para o momento do jogo.
Outra ala do círculo político de Ratinho, composta por secretários de Estado e deputados, defende que a única chapa competitiva para enfrentar Sergio Moro seria a formada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD) e o secretário de Desenvolvimento Sustentável, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (recém-filiado ao MDB), embora eles sofram resistência de parte dos políticos mais próximos a Ratinho. A avaliação leva em conta, além do melhor desempenho nas pesquisas, a possibilidade de aglutinar mais partidos na aliança, somando estrutura, fundo eleitoral e tempo de TV.
Se conseguir segurar Curi no PSD até o fim da janela partidária, em 4 de abril, Ratinho até poderia adiar a decisão para o período das convenções, entre 20 de julho e 5 de agosto. Mas, Curi está com as portas abertas no Republicanos, para disputar a eleição, muito provavelmente em chapa com o Greca.
Além disso, postergar ainda mais essa decisão pode prejudicar o futuro candidato, já que Sergio Moro e Requião Filho (PDT) já estão em pré-campanha, percorrendo o Estado, participando de eventos e concedendo entrevistas como pré-candidatos ao Governo do Paraná.
A decisão de Ratinho Junior de abrir mão da disputa presidencial deixa claro que ele não está disposto a correr o risco de perder a eleição no Paraná. Mas, para isso, precisa tomar outra decisão urgente.


