Atualizada às 13h45
Dia 3 de abril é o último dia da janela partidária visando as eleições de 2026. Quem quiser disputar um cargo eletivo em 4 de outubro tem que estar filiado ao partido pelo qual concorrerá por pelo menos seis meses. E nesses 30 dias que antecedem o prazo, a legislação eleitoral (feita pelos próprios políticos) permite a troca de partido sem que isso infrinja a regra da fidelidade partidária. É nesse período, então, que o quadro eleitoral se rearranja e por afinidade, estratégia ou sobrevivência para os detentores de mandatos que buscam uma nova legenda.
A janela partidária deste ano estava com pouca movimentação relevante até a quarta-feira (18), quando o líder nas pesquisas ao Governo do Paraná, senador Sergio Moro, fechou acordo com o PL e conseguiu enfim migrar para um partido em que pode concorrer ao cargo.
No anterior, o ex-juiz da Lava Jato contava com uma briga interna do Progressistas – com qual o União Brasil tem uma federação, sendo necessária, portanto, aprovação de ambos os partidos para o lançamento da candidatura. O que não iria ocorrer, por resistência da Família Barros, que comanda o Progressistas no Paraná.
O segundo colocado nas pesquisas, deputado estadual Requião Filho (PDT), tem sua candidatura assegurada pelo partido e já com apoio declarado do PT, com quem forma a bancada de oposição na Assembleia Legislativa. A situação dele foi resolvida antes da janela, ainda no ano passado, quando o deputado recebeu carta de anuência do PT para deixar o partido e ingressar no PDT.
Se no topo das pesquisas a questão foi resolvida, o mesmo não pode ser dito do grupo político do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD). Em busca de fazer o sucessor, ele ainda não se decidiu e ainda viu seu favorito, o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), naufragar na última pesquisa eleitoral. Ele teve o pior resultado entre os três nomes do partido testados entre os eleitores.
Entre articulações de bastidores e pesquisas por telefone para testar novos nomes, como o do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), os outros pré-candidatos fortes do PSD estão resolvendo suas vidas.
Logo após Moro, nesta quinta-feira (19), o secretário Rafael Greca anunciou sua filiação ao MDB, no entanto, sendo conciliador no discurso de despedinha do “ninho” do PSD. Agora resta apenas a definição do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi. Tanto ele quanto Greca pagam pela indefinição de Ratinho Junior.
Curi tem as portas do Republicanos escancaradas e pode anunciar a mudança de partido a qualquer momento. Mas, assim como Greca, calcula quando seria eleitoralmente interessante um “rompimento” com o governador?
Dentro das definições mais relevantes da janela, Moro e Greca tomaram suas decisões. E agora são aguardados os movimentos de Curi e do próprio governador Ratinho Junior. As decisões não vem sozinhas, e devem desencadear uma série mudanças de partidos de deputados, prefeitos e pré-candidatos para as eleições de outubro.
Por afinidade, aliança, ou por pura matemática, quem quer um cargo nas eleições proporcionais analisa todas as possibilidades enquanto espera as definições no andar de cima.


