A partir de sábado (14) até o dia 24 de maio, o Museu Municipal de Arte de Curitiba (MuMA) recebe a exposição “Densidades na rarefação: ensaios de presença”, das artistas Juliana Burigo e Lailana Krinski. A abertura oficial está marcada para sábado, às 16h. Logo antes, às 14h, haverá uma mesa-redonda com as artistas e os curadores Arthur Lauriano do Carmo e Caroline Schroeder, no Auditório Antônio Carlos Kraide, seguida da abertura oficial às 16h. A entrada nos eventos de abertura e na mostra é gratuita.
Reunindo aproximadamente 25 obras, entre desenhos, esculturas, vídeos e instalações, a exposição parte da proposta de uma investigação visual e conceitual que coloca em diálogo duas pesquisas artísticas contemporâneas que, embora autônomas, compartilham um interesse comum pelas relações entre corpo, espaço, matéria e vazio. “Essa exposição nasce de um processo prolongado de investigação e escuta, tanto entre as artistas quanto com a curadoria. Não se trata apenas de aproximar duas produções, mas de criar um campo de tensão produtiva, onde as obras possam revelar pontos de encontro e também zonas de afastamento”, afirma a coordenadora geral do projeto e uma das artistas expositoras, Juliana Burigo.
As obras e as artistas
Nos trabalhos de Juliana Burigo, especialmente nos desenhos de linha e nas investigações em vídeo, o espaço não preenchido não atua como fundo passivo, mas como campo ativo de tensão. O vazio é elemento estruturante, instaurando pausas, intervalos e zonas de respiro que deslocam a percepção do olhar. “A ideia de densidade e rarefação aparece como uma chave de leitura possível, mas não rígida. Ela se manifesta na maneira como cada trabalho ocupa o espaço, no modo como a forma se condensa ou se dilui, e na experiência corporal de quem percorre a exposição”, afirma.
A artista explica que as obras dialogam a partir de aproximações e tensões que atravessam as poéticas das duas artistas. “A exposição não organiza as obras por afinidade ilustrativa, mas por aproximações e fricções. Interessa-nos perceber como uma imagem pode se adensar até quase se tornar matéria e, ao mesmo tempo, como outra pode rarefazer-se a ponto de ativar o silêncio como parte da composição. É nesse intervalo que a experiência se constrói”, afirma Burigo.

Já na produção de Lailana Krinski, o corpo surge em situações incomuns, muitas vezes acoplado a objetos ou elementos do cotidiano, criando imagens compactas e enunciativas que tensionam dimensões físicas, psíquicas e culturais do corpo feminino contemporâneo. A artista também apresenta na mostra trabalhos da série “Está tudo desfeito entre nós”, em que investiga questões de estrutura, gesto e processo no campo do desenho. Apesar do título sugerir ruptura, a série opera na ambiguidade entre fazer e desfazer: linhas se entrelaçam sem formar nós, compondo uma trama delicada, como uma rede de gestos em movimento.
“Embora o nome do trabalho pareça sugerir um desfazimento, o que vemos é um tecimento formado por gestos criando uma espécie de rede delicada em cor, lembrando gestos que dançam. É um trabalho que discute a ideia de estrutura — não como algo fixo ou universal, mas como um entrelaçamento singular de relações”, explica Lailana. A série foi apresentada pela primeira vez na Galeria Reocupa, na Ocupação 9 de Julho, em São Paulo, durante a exposição O que não é floresta é prisão política (2019).
Curadoria
A curadoria, assinada por Arthur Lauriano do Carmo e Caroline Schroeder, se desenvolveu a partir de um acompanhamento aprofundado dos processos das artistas, por meio de encontros continuados, conversas críticas e visitas aos ateliês. “Mais do que selecionar obras, o trabalho curatorial consistiu em nos debruçarmos sobre as motivações, procedimentos e desdobramentos de cada pesquisa, buscando compreender os enunciados que atravessam as produções e as questões que emergem da relação entre matéria, gesto, imagem e presença”, afirma Lauriano.
O curador também explica que a exposição situa-se em um formato híbrido, entre a individual e a coletiva, com uma configuração que permite estabelecer correlações e cruzamentos mais consistentes entre as produções, ao mesmo tempo em que preserva o universo particular de cada artista.
Ações educativas
Além da exposição, o projeto contempla um conjunto de ações educativas, coordenadas pela artista e arte-educadora Simara Ramos, com programação que inclui oficinas, duas mesas-redondas, visitas guiadas, seleção, formação e capacitação de monitores. Será montada adjunta à exposição, na mesma sala, uma estação de trabalho da ação educativa, recebendo o público com proposições. As atividades ampliam as camadas de acesso à exposição e propõem abordagens interativas e formativas. Toda a programação é gratuita e conta com recursos de acessibilidade, como interpretação em Libras e materiais em braille.
*Com informações da assessoria de imprensa.


