A negociação do senador Flávio Bolsonaro (RJ) para atrair o colega paranaense, Sergio Moro (União Brasil) para o PL pode tirar a zona de conforto do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) na eleição ao Governo do Paraná. O escolhido de Jair Bolsonaro na disputa presidencial manobra para eliminar outros possíveis nomes da corrida, de forma a construir palanques fortes nos Estados e polarizar diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caminho para o Palácio do Planalto.
Após a escolha de Jair, Flávio se consolidou como segundo colocado nas pesquisas eleitorais, derretendo os outros nomes da direita na eleição para presidente. No entanto, conforme apurou a Folha de S.Paulo, o candidato do PL quer construir palanques fortes nos Estados evitando dividir apoios com um candidato querivalize com ele nacionalmente, o que aconteceria caso Ratinho Junior saísse candidato a Presidência.
Caso a negociação avance e Moro entre no PL, estará resolvido o maior problema do senador até o momento. Embora esteja em um partido forte e com tempo de TV e fundo eleitoral farto, o União Brasil fez uma federação nacional com o Progressistas, que está colocando empecilhos para que a candidatura dele ao governo seja viabilizada. Em uma federação, há a necessidade de anuência de todos os partidos para que uma candidatura seja formalizada.
Em nota, Moro negou que tenha intenções de deixar o União Brasil e afirmou que sua candidatura a governador será pelo partido. No entanto, pelas declarações de líderes do Progressistas no Paraná, em especial membros da família Barros, não será fácil a conciliação entre as partes. Em jogo, estão acordos do partido com Ratinho Junior e os ranços do chamado Centrão com a forma como o ex-juiz conduziu a Operação Lava Jato.
O terremoto causado por Moro no PL
Até o momento, Ratinho Junior e o PSD apostam no secretário das Cidades, Guto Silva, para a sucessão do Governo do Paraná. Desde o começo de 2025, ele foi privilegiado, recebendo uma secretaria de alta visibilidade, em detrimento inclusive de outros aliados, como Rafael Greca, que pleiteava a pasta para ganhar projeção estadual e concorrer ao governo, mas acabou com a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, após deixar a Prefeitura de Curitiba. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, também disputa a preferência do PSD para ser o candidato do partido na disputa pelo Palácio Iguaçu.
A demora de Silva em crescer nas pesquisas, embora preocupante, não era algo urgente. A trava dos Barros ao nome de Moro, na prática, garantia que o atual líder das pesquisas não conseguiria ser candidato, ao menos não na federação União Brasil-Progressistas. O senador seria obrigado a sair da legenda, indo para partidos menores, sem tanto tempo de TV e fundo eleitoral.
Sem Moro, e em um Estado com eleitorado majoritariamente de direita, o secretário das Cidades teria uma campanha inteira para polarizar com o principal nome da oposição, o deputado estadual Requião Filho (PDT), e ter competitividade na disputa.
O convite de Flávio para que Moro se filie ao PL muda esse cálculo. Dá ao ex-juiz uma casa com estrutura, dinheiro e espaço na propaganda eleitoral gratuita. Individualmente, o PL tem o maior valor fundo eleitoral nacional para 2026, calculado em R$ 882,6 milhões. Esse valor só é superado pela soma da federação União Brasil-Progressistas, que somados dispõe um valor estimado de R$ 943,8 milhões.
Contra Moro, o favorito de Ratinho Junior teria uma disputa muito mais díficil, pois ambos dividem a preferência do eleitorado do espectro da direita. E o fraco desempenho de Guto Silva até o momento nas pesquisas o faria sair muito atrás de outros nomes do PSD, como Rafael Greca e Alexandre Curi, que pontuam melhor que o secretário das Cidades. O governador pode ser forçado a rever o seu plano sob o risco de perder a sucessão eleitoral, mesmo com sua gestão tendo aprovação de mais de 85% dos paranaenses.
Preferência por Guto Silva já gera atritos no PSD
Embora seja difícil esconder a predileção por Silva, o discurso de Ratinho Junior até o momento é de que o PSD possui um time de nomes capazes de disputar o Governo do Paraná nas eleições deste ano, e que o mais credenciado no momento de efetivar a candidatura seria o escolhido. E isso em certa medida vinha sendo externado por outros possíveis postulantes, como Curi e Greca.
No entanto, a temperatura subiu nos últimos dias. Segundo o Blog Politicamente, o governador, que está de férias nos EUA, foi chamado às pressas para uma reunião on-line para apaziguar os ânimos no PSD.
Declarações do secretário de Agricultura, Márcio Nunes, durante o Show Rural, contra uma possível saída de Curi do partido para viabilizar a candidatura ao governo, acenderam o pavio da crise interna e escancararam uma situação que vinha sendo“empurrada com a barriga” por Ratinho Junior: o PSD não comporta tantos pré-candidatos à sucessão estadual. E o martelo precisa ser batido sobre quem será o nome do governador na disputa.
Durante a feira em Cascavel, o presidente do Republicanos no Paraná, deputado federal Pedro Lupion, abriu as portas do partido para Curi ou Greca concorrerem ao Palácio Iguaçu. O presidente da Assembleia, inclusive, esteve presente à cerimônia de posse do parlamentar no comando da legenda, evidenciando o bom relacionamento entre os dois.
Próximo passo de Ratinho Junior no xadrez eleitoral
Com a jogada de Flavio Bolsonaro, Ratinho Junior vê sob ameaça não só seus próprios planos de concorrer à Presidência, mas também a própria sucessão no Governo do Paraná. Uma possível saída de Curi e Greca do PSD, para o Republicanos ou até mesmo outro partido, poderia gestar uma chapa forte, em uma dobradinha que é cogitada nos bastidores. E que seria capaz de rivalizar com Moro, relegando o favorito do governador a um vexatório quarto lugar nas pesquisas – atrás de Moro, Requião Filho e a dupla Curi-Greca, distante de um possível segundo turno.
Ratinho Junior agora terá que atuar para estancar a crise interna no PSD e recuperar o protagonismo do xadrez eleitoral do Paraná, uma habilidade que o notabilizou anteriormente. Em duas campanhas de sucesso ao Palácio Iguaçu, ele concorreu praticamente sem oposição, ganhando em ambas no primeiro turno. Resta saber, qual será o próximo movimento do governador no tabuleiro do Paraná.


