O Paraná registrou 1.769 Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025. O dado representa uma queda de 18,67% em relação ao ano anterior, 2024. O indicador engloba registros de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio (roubo seguido de morte), lesão corporal seguida de morte e mortes por intervenção policial. Os dados são compilados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Com os casos, o Estado fechou o ano passado com taxa de 14,88 mortes por 100 mil habitantes, com uma redução em relação ao índice apurado em 2024, que foi de 18,39 mortes por 100 mil. O cálculo permite fazer comparativos entre localidades com maior facilidade, pois leva em conta a proporcionalidade da população. O indíce paranaense ficou abaixo da média brasileira no período, que foi de 18,91 mortes por 100 mil habitantes.
Também nesse quesito, o Paraná tem o pior resultado da Região Sul, ficando atrás de Rio Grande do Sul (11,31 mortes por 100 mil) e Santa Catarina (7,6 mortes por 100 mil).
Analisando o recorte de gênero, os homens foram a esmagadora maioria das vítimas de morte violenta intencional no ano passado no Paraná. Eles representaram 87,5% do total (1.548 casos), enquanto mulheres foram 11,3% (200 casos) e ainda houve 21 casos sem gênero informado.
Confira um comparativo de casos por tipo
| Tipo | 2024 | 2025 | Variação (%) |
| Homicídio doloso | 1.554 | 1.167 | -24,9% |
| Feminicídio | 109 | 87 | -20,18% |
| Latrocínio | 46 | 44 | -4,35% |
| Lesão corporal seguida de morte | 61 | 45 | -26,23% |
| Morte por intervenção policial | 405 | 426 | +5,19% |
| Total | 2.175 | 1.769 | -18,67% |
Único aumento ocorreu em mortes por intervenção policial
No detalhamento dos casos, a única categoria que teve aumento foi a de mortes por intervenção policial. No ano passado, as forças paranaenses foram responsáveis por 426 mortes violentas intencionais, um aumento de 5,19% em relação ao ano anterior. E vale destacar que os dados desta categoria são os únicos incompletos, pois faltam os dados de dezembro.
No recorte de gênero, este tipo de morte violenta também acometeu na esmagadora maioria homens, com 416 dos casos. Somente sete mulheres foram vítimas e três casos não tiveram gênero informado.
Na comparação com os vizinhos da Região Sul, o Paraná está na liderança disparada, com as forças policiais de Santa Catarina tendo sido responsáveis por 100 mortes por intervenção no ano passado e as do Rio Grande do Sul por apenas 80.
Em todas as demais categorias de morte violenta intencional, houve redução no Paraná, com destaque, pelo número bruto, da redução de homicídios dolosos, que tiveram 387 registros a menos, o que representou uma redução de 24,9%.
As cidades com mais registros
No recorte por municípios, a cidade com mais casos registrados identificados foi a capital Curitiba, com 184 mortes violentas intencionais. Em segundo lugar aparece Foz do Iguaçu (Oeste) com 65 casos. Na sequência, temos Cascavel (Oeste) com 53 casos, Paranaguá (Litoral) com 49 casos, São José dos Pinhais (RMC) com 43 casos, Ponta Grossa (Campos Gerais) com 38 casos, Maringá (Noroeste) com 34 casos, Londrina (Norte) com 31 casos, Colombo (RMC) com 30 casos.
No entanto, estes dados são falhos, pois houve nada menos que 426 mortes violentas intencionais sem registro de local da ocorrência no Paraná em 2025. Este é um indicador que apresenta aumento seguido desde 2023, quando foram registrados 331 mortes violentas sem local informado. O número subiu para 405 em 2024.
Feminicídios
Segundo os dados oficiais, no ano passado, 87 paranenses perderam a vida por feminicídio, que é o homicídio praticado contra a mulher por razões da condição do gênero feminino e em decorrência da violência doméstica e familiar, ou por menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
No entanto, esse número pode estar subestimado. Em seu balanço do primeiro semestre, o Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB), do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), apontou que 74 paranaenses haviam sido vítimas de feminicídio no período de janeiro a junho do ano passado.
O levantamento independente inclui análises de casos considerando as Diretrizes Nacionais para a definição de feminicídio, estabelecidas pela ONU Mulheres, que em algumas situações não foram enquadrados na qualificadora pelas forças policiais.
Mortes a esclarecer sem indício de crime
Em 2025, o Paraná registrou ainda 22 casos de mortes a esclarecer sem índicio de crime. O número é baixo perto de outros Estados. Nacionalmente, o Brasil teve 14.682 casos deste tipo no ano passado – uma alta de 6,45% em relação à 2024.
Entre os líderes neste tipo de morte estão São Paulo (2.947 casos), Rio de Janeiro (2.924 casos), Pernambuco (1.691 casos) e o Rio Grande do Sul (1.057 casos).
Mortes por trânsito
Segundo os dados do Sinesp, o Paraná registrou 757 mortes no trânsito em 2025, o que representa uma redução de 26,22% em relação ao ano anterior. O resultado representou uma taxa de 6,37 mortes por 100 mil habitantes, valor abaixo da média nacional (11,69 mortes por 100 mil). Vale lembrar que essa categoria é separada das mortes violentas intencionais.
No comparação com os vizinhos da Região Sul, o Estado fica em segundo lugar, atrás de Santa Catarina (taxa de 5,9 mortes por 100 mil) e à frente do Rio Grande do Sul (taxa de 11,23 mortes por 100 mil).
Suicídios
No ano passado, 717 paranaenses tiraram a própria vida, uma redução de 21,38% em relação ao registrado em 2024. A taxa ficou em 6,03 suicídios por 100 mil habitantes. Esta categoria de registro também é separada das mortes violentas intencionais.
O Paraná tem o menor índice da Região Sul, pois Rio Grande do Sul (12,89 casos por 100 mil) e Santa Catarina (11,82 casos por 100 mil) apresentam taxas maiores.
Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil e pensando em suicídio, procure ajuda profissional. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional 24 horas, de forma sigilosa, pelo telefone 188 ou no site www.cvv.org.br.


