A primeira etapa das eleições de 2026 ocorreu neste domingo (4) e a projetada avalanche da direita ocorreu até onde não se imaginava, com Flávio Bolsonaro (PL) ficando à frente do presidente Lula (PT) na disputa presidencial. E podemos dizer que o Paraná foi um dos Estados mais significativos deste movimento, que varreu o Brasil.
Os eleitores paranaenses foram às urnas com a opção de manter no poder um projeto que, há de se admitir, trouxe realizações e estabilidade política e financeira ao Paraná. Ratinho Junior chegou ao pleito com aprovação próxima a 80%, segundo as pesquisas mais recentes. Um trunfo e tanto quando falamos de política e eleição de sucessor.
Mas, o governador e seu grupo político encontraram uma situação atípica no cenário político. A polarização se acentuou ao longo da campanha. O Judiciário imerso em escândalos e fora de controle nas decisões, com a complacência do Governo Federal, serviu como bandeira para a direita, que soube capitalizar a crise no topo da República perante o eleitorado.
Munido de realizações de seu governo e da sua aprovação pessoal, Ratinho Junior subestimou tanto os efeitos da polarização mais exacerbada quanto o trabalho de anos de seu principal oponente, optando por atrasar a indicação de seu escolhido na sucessão, à procura da articulação perfeita e de manter todo seu entorno unido.
Passada esta fase, a estratégia produziu o lema “Unidos em Paz”, que acabou sendo até abandonado na reta final da campanha. A constatação tardia é que, se Ratinho e seu grupo político pregavam paz, o eleitor paranaense parecia mesmo estar querendo guerra.
Tanto na bancada da Assembleia Legislativa do Paraná quanto na da Câmara Federal, os partidos que mais pregam enfrentamento tanto contra o PT e o Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram aumento das suas bancadas. Ao Senado, foram eleitos dois dos nomes mais destacados na batalha política em Brasília: Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).
No frigir dos ovos, enquanto o lado do governador pregava o “Mais Paraná, Menos Brasília”, o outro ia no sentido contrário, com o lema “O Paraná Será Nossa Fortaleza”, escolhido pela candidatura de Sergio Moro (PL), e que prenunciava alguém que estava disposto ao combate. O ex-juiz mesmo escolheu o semblante fechado e sério como pose quase oficial de suas fotos durante a campanha.
Com táticas semelhantes, a avalanche da direita produziu efeitos de Norte a Sul do Brasil. O PL de Flávio Bolsonaro quase dobrou sua bancada no Senado, indo de 15 para 28 parlamentares. Na contramão, o PSD, um dos partidos mais destacados do Centrão, derreteu de 14 para 4.
Na Câmara, o PL obteve o maior número de deputados para um partido desde a Constituinte de 1988, com 121 parlamentares — quase um a cada quatro na Casa. O movimento gerou derretimento de outros dois partidos do chamado Centrão, o União Brasil e Progressistas, que caíram de 105 para 87.
Em termos de governos estaduais, o PL elegeu cinco governadores, incluindo os três da Região Sul, com nossos vizinhos sendo governados por Jorginho Mello (SC, reeleição) e Zucco (RS). O partido ainda pode levar o Rio de Janeiro sem segundo turno, pela anulação de votos de Anthony Garotinho (Republicanos). E ainda disputa mais um Estado em segunda votação, o Amazonas.
A contaminação da polarização política acabou por produzir um recorde de 20 eleições estaduais definidas em primeiro turno. O próprio histórico do Paraná demonstrava cautela. Os paranaenses não vão às urnas em segundo turno desde a eleição de 2006. Ou seja, vinte anos atrás.
Ainda pretendo me debruçar de forma mais aprofundada sobre o que considero terem sido os erros do grupo político de Ratinho Junior nas Eleições 2026. Mas, o que talvez tenha sido mais determinante foi o de apostar que o caminho do voto do paranaense era o cérebro e não o coração (às vezes, por que não, o fígado). E isso acabou se provando um erro fatal.


