A jornalista Cristina Graeml vai deixar o União Brasil e se filiar ao PSD após convite feito pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior. A informação vinha sendo especulada há alguns dias e foi confirmada na noite desta terça-feira (31) por meio de um post nas redes sociais. Esta será terceira mudança de partido — e a quarta legenda — de Graeml desde as eleições de 2024.
A jornalista foi adversária do grupo político do governador na disputa pela prefeitura de Curitiba, nas eleições de 2024, sendo derrotada pelo atual prefeito da capital, Eduardo Pimentel (PSD). A campanha foi acirrada, mas, pelo visto, não deixou cicatrizes em ambos os lados.
“Eu estou aqui nesse início de jornada política, para mim é é tudo novidade, ainda tem essa questão de política partidária. Mas a gente tem que ir construindo alianças, já estivemos em lados opostos na eleição municipal, e é muito importante que a gente, pensando um projeto maior, consiga caminhar junto com um grupo”, disse Graeml.
Nas redes sociais, os apoiadores da antiga postulante a prefeita se dividem entre os que acreditam que a mudança de partido vai permitir a eleição da jornalista e aqueles que desaprovam o movimento por entendê-lo como uma associação ao Centrão e ao sistema, antes criticados por ela.
Quem é Cristina Graeml
Jornalista de longa carreira, com passagem pela afiliada da Globo no Paraná (RPC), e atualmente atuando no jornal Gazeta do Povo, Cristina Graeml entrou para a política com afinidade ao bolsonarismo. Se notabilizou por comentários antivacina da Covid e defesas apaixonadas de Jair Bolsonaro.
Sua primeira experiência na política foi a disputa pela Prefeitura de Curitiba. No nanico PMB, ela surpreendeu com a força do submundo das capilares redes de grupos de WhatsApp. Quase sem recursos ou tempo de TV, foi ao segundo turno, apostando no discurso antissistema e com um apoio, ainda que tímido, de Jair Bolsonaro.
No entanto, na segunda etapa da eleição, acabou sucumbindo às forças combinadas do ex-prefeito Rafael Greca e do governador Ratinho Junior, que ainda conseguiram um acordo para manter o ex-presidente Bolsonaro fora da disputa.
De lá para cá, Graeml pulou entre partidos, primeiro rumo ao Podemos e mais recentemente ao União Brasil. No entanto, viu seu plano de ser candidata a senadora perder força com a saída de Sergio Moro da legenda para o PL. O acordo que levou o ex-juiz da Lava Jato inclui lançar dois nomes do campo bolsonarista ao Senado, o que a prejudica.
Agora no PSD, ainda não está claro o papel que será dado à jornalista nas eleições de 2026. Ela pode ser lançada ao Senado ou até acabar assumindo papel de candidata a vice-governadora, num antídoto bolsonarista semelhante ao que o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (então no PL) teve contra ela mesma na disputa pela capital em 2024.


