Passado o impacto inicial do anúncio do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) desistindo da candidatura à Presidência da República, o PSD estadual volta-se à definição de sua chapa para a disputa das eleições de outubro. E, desde o anúncio na última terça-feira, um nome surgiu com força: o do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD).
O nome de Pimentel já vinha sendo ventilado há algumas semanas e, até, chegou a ser testado em duas pesquisas internas encomendadas pelo partido. Mas o que parecia ser um balão de ensaio, para medir a febre o eleitor sobre um nome novo no quadro já estabelecido e, principalmente, sobre como seria aceita uma renúncia do prefeito da capital, agora, vem sendo tratado como o plano A do PSD.
Pimentel teria desempenho eleitoral superior ao do secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), menos resistência interna de aliados próximos a Ratinho Junior que Alexandre Curi (PSD) e, além disso, uma relação política e pessoal muito próxima a Curi, o que evitaria que o presidente da Assembleia trocasse de partido para enfrenta-lo nas urnas.
Além disso, a eventual renúncia de Pimentel ao cargo de prefeito entregaria a administração da capital paranaense ao Partido Novo, com o vice-prefeito Paulo Martins. A manobra seria uma alternativa para minar a aliança do Novo com o PL, que filiou, nesta manhã, o senador Sergio Moro, com a presença de Deltan Dallagnol (Novo), anunciado, inclusive, como candidato ao Senado na chapa do ex-juiz.
A chapa encabeçada por Pimentel, que teria, ainda, Guto Silva como candidato a vice e Alexandre Curi candidato Senado, foi debatida em reunião do partido na manhã desta terça-feira (24). Faltando, apenas, um detalhe: convencer Pimentel a renunciar à prefeitura, onde está apenas no segundo ano de um primeiro mandato com ótima avaliação, para disputar uma eleição arriscadíssima contra o senador Sergio Moro (PL) e o deputado estadual Requião Filho (PDT).
Caso avance, a estratégia representaria uma mudança relevante no cenário eleitoral do Paraná, ao introduzir um novo nome na disputa pelo Palácio Iguaçu. Ao mesmo tempo, a movimentação envolve variáveis políticas e administrativas que vêm sendo analisadas pelo grupo governista, tanto no âmbito estadual quanto municipal.
A decisão do governador de permanecer no cargo, abrindo mão da disputa nacional, foi interpretada como um movimento para concentrar esforços na sucessão estadual. Ainda assim, a eventual candidatura de Pimentel adiciona um novo grau de complexidade ao tabuleiro político, ao combinar uma aposta de alto impacto eleitoral com a necessidade de reorganização de alianças.
Nesse contexto, aliados e observadores avaliam que a estratégia pode ampliar as possibilidades do PSD na disputa, mas também expõe o grupo a um cenário de maior risco político, com desdobramentos que podem fazer o partido perder, simultaneamente, o projeto nacional, a sucessão estadual e a condução da principal prefeitura do Estado.


