O secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), esteve a um passo de ser anunciado como o pré-candidato do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) à sua sucessão no Palácio Iguaçu. Não foi. E, agora, está prestes a se tornar peça fora do tabuleiro no difícil xadrez político para as eleições de outubro.
Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta quinta-feira (12), mostra o favorito do governador estagnado, com teto de 5,5% nas intenções de voto nos diferentes cenários analisados, bem atrás dos outros dois nomes do PSD, Rafael Greca e Alexandre Curi. E perdendo numericamente (sem levar em conta a margem de erro) até para o deputado federal Fernando Giacobo (PL), pela primeira vez testado em uma pesquisa.
A pontuação de Guto Silva segue semelhante à que ele apresentava há cerca de um ano, quando seu nome começou a ser trabalhado pela cúpula do Governo do Estado como o prioritário para a sucessão.
Desde então, Ratinho Junior e Guto Silva intensificaram a agenda conjunta, rodaram o Paraná entregando e anunciando obras, concentraram os contatos com prefeitos e a distribuição de recursos do Estado. O secretário foi colocado como protagonista nas ações de reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu, devastada por um tornado, e nas atrações do Verão Maior Paraná.
Tudo isso tinha como objetivo que ele chegasse em março deste ano – período da janela partidária – com dois dígitos nas pesquisas – o que, pelos cálculos governistas, o tornaria eleitoralmente viável, considerando o potencial ganho com o apoio oficial de Ratinho. Mas, o esforço não foi suficiente para Guto Silva decolar.
A busca por uma alternativa já vinha ganhando força, no Palácio Iguaçu, há, pelo menos, duas semanas – período que coincide com o aumento das sinalizações de que Greca e Curi procurariam outros partidos para viabilizarem suas candidaturas.
Prefeitos que frequentam a sede do governo detalham a O Luzeiro que, se antes ouviam que a candidatura de Guto Silva já estava certa, faltando apenas o anúncio, agora ouvem que o governo está buscando outro pré-candidato. “Quem sabe, até, um novo nome”. Isso porque, parte do núcleo do governo, que defendia a candidatura do secretário das Cidades, resiste à ideia de chapa formada por Greca e Curi.
Na última semana, uma pesquisa por telefone testou como o eleitorado avaliaria uma possível saída do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), do cargo para concorrer ao Governo do Estado. Outro nome internamente ventilado é o do secretário de Saúde, Beto Preto (PSD).
Paralelamente, Ratinho Junior buscou uma reaproximação com Greca e Curi. Na última quarta-feira (11), ele recebeu seu secretário de Desenvolvimento Sustentável no Palácio Iguaçu. O ex-prefeito de Curitiba saiu da reunião satisfeito, otimista e falando em manutenção do grupo unido.
Para esta quinta-feira, se a chuva permitir, Ratinho tem agenda conjunta com Alexandre Curi. O presidente da Assembleia participa, com o governador, da ExpoParanavaí – onde acontece a 38ª edição da Assembleia Itinerante – e também da solenidade de abertura da ExpoUmuarama.
A missão do governador, no momento, é evitar que Greca e Ratinho deixem o PSD – saída que provocaria, em sequência, uma grande debandada de deputados e prefeitos do partido. Mas, isso está condicionado à decisão que Ratinho hesita em tomar, sobre quem será o candidato do partido ao Governo do Estado. O martelo precisa ser batido até 4 de abril – data final para que os pretensos candidatos estejam filiados aos partidos pelos quais disputarão a eleição de 4 de outubro.
E, enquanto Ratinho hesita, o senador Sergio Moro (União Brasil) aproveita. O senador segue crescendo e, dependendo do cenário, já vislumbra, até, vitória já no primeiro turno.


