As expectativas dos empresários paranaenses dos setores de comércio, serviços e turismo estão menos otimistas para o primeiro semestre de 2026, na comparação com o semestre anterior. É o que mostra um levantamento feito pelo Sebrae em parceria com a Fecomercio e divulgado no final de fevereiro.
A sondagem aponta que 28,7% dos empresários têm expectativas favoráveis para os primeiros seis meses do ano, enquanto 24,4% apostam em estabilidade. Outros 19,7% avaliam o período de forma pessimista e 27,2% ainda não possuem uma opinião formada.
O resultado aponta uma queda no otimismo em relação à pesquisa do segundo semestre do ano passado, que apontou 33,5% dos empresários dos setores com expectativas positivas. Para o mesmo período do ano passado (1º semestre), os que esperavam desempenho positivo eram 31,2%.
Segundo avaliação do Sebrae, o resultado reflete um ambiente de maior incerteza, marcado pela combinação do início de aplicação da Reforma Tributária, uma taxa básica de juros que segue alta e o ano eleitoral.
Entre os segmentos pesquisados, o setor de serviços apresenta o maior grau de confiança, com 34,3% de expectativas favoráveis. No turismo, esse percentual é de 25%, enquanto no comércio fica em 24,6%.
A pesquisa Sebrae/Fecomercio ouviu mais de 600 empresários paranaenses entre os dias 14 e 30 de janeiro, abrangendo diferentes portes e segmentos, nas regiões de Curitiba e Região Metropolitana, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Oeste e Sudoeste.
Otimismo maior entre os pequenos empresários
A análise por tamanho de empresa mostra que os pequenos negócios concentram maior otimismo, com 31,5% das empresas do segmento esperando um resultado positivo no semestre. Em seguida, estão as médias e grandes empresas, com 30,4%. Entre as microempresas individuais, o índice de expectativas favoráveis é de 29,3%. Já no caso dos microempreendedores individuais, as projeções negativas superam as positivas, com 27% de avaliações desfavoráveis ante 20,6% otimistas.
No recorte por regiões, os empresários de Curitiba e Região Metropolitana apresentam o maior percentual de expectativas positivas, com 33,5%, seguidos pela região de Londrina (32,2%) e pelo Sudoeste (30,0%). Na região Oeste, o índice é de 29,1%, enquanto Maringá registra 20,8% e Ponta Grossa, 15,8%.
Principais preocupações, intenção de investir e contratações
A principal fonte de preocupação apontada pelos empresários paranaenses é a carga tributária, que foi apontada por 43,2% dos ouvidos pela sondagem, o que representa uma forte alta em relação ao semestre anterior (10,5 pontos percentuais a mais).
O dado reflete principalmente o início da implementação da Reforma Tributária, cujos efeitos ainda são percebidos mais como aumento de complexidade sem trazer a esperada redução da carga de impostos. Em um segundo plano, aparece a instabilidade política, citada por 39% dos entrevistados, especialmente por se tratar de um ano eleitoral.
A falta de mão de obra qualificada surge como um dos problemas estruturais mais relevantes. Com 35,1% das menções, e alta de 4,5 pontos percentuais em relação ao semestre passado, deixando claro um problema recorrente do setor de comércio/serviços/turismo. Também estão na lista de dificuldades a instabilidade econômica e a percepção de alta quantidade de clientes sem poder de compra.
Apesar do aumento da percepção negativa para o semestre, a pesquisa mostra que 30,6% dos empresários vão investir em seus negócios no período, enquanto 26,2% ainda não definiram sua estratégia. Uma parcela maior, de 43,2%, afirmou que não pretende realizar investimentos.
Entre os que planejam investir, as principais áreas apontadas são reforma e modernização das instalações (30,3%), aquisição de máquinas e equipamentos (27%), propaganda e marketing (25,9%) e capacitação da equipe (21,6%).
Os dados também indicam que o empresariado vai aumentar e manter o quadro funcional, sendo que 25,9% projetam ampliar as contratações, percentual superior ao observado no semestre anterior. Apenas 7,2% afirmam que pretendem reduzir o quadro de pessoal.


