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Reflexões sobre a COP30 Belém: o planeta como cliente da humanidade

O portão de entrada de um dos pavilhões onde foi realizada a COP30 Belém
O portão de entrada de um dos pavilhões onde foi realizada a COP30 Belém - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Rafael de Tarso

Este texto inaugura uma trilogia de artigos que atravessa o início de 2026, ano que ficará marcado por grandes eventos nacionais e globais, o que envolve decisões que moldam políticas públicas, comportamentos, percepções e escolhas coletivas.

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Esta trilogia parte de uma provocação central: como traduzir dados complexos em decisões humanas mais conscientes no planeta, nas emoções e na vida em sociedade?

Para começar, compartilho a minha visão sobre a COP30 Belém (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em novembro de 2025, aqui no Brasil.

A provocação na escolha do título

Quando escolhi o título “COP30 Belém: o planeta como cliente da humanidade”, a provocação foi consciente. Não para reduzir a emergência climática a uma lógica de mercado, mas para deixar claro que nossas decisões coletivas impactam diretamente um sistema que não negocia, não posterga e não perdoa. O planeta responde. Sempre respondeu…

A COP30, realizada em Belém, teve um simbolismo poderoso ao acontecer na Amazônia. Ao mesmo tempo, expôs de forma ainda mais nítida os limites das políticas climáticas globais em um mundo fragmentado por interesses econômicos, disputas geopolíticas e agendas de curto prazo.

Emergência climática e o descompasso entre discurso e execução

Eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção. No Brasil, ciclones, enchentes, secas prolongadas e apagões energéticos passaram a fazer parte do cotidiano. Ainda assim, a emergência climática segue sendo tratada, em muitos espaços de decisão, como uma pauta abstrata ou ideológica.

A COP30 Belém escancarou esse descompasso. O objetivo central das conferências climáticas é alinhar compromissos globais para reduzir emissões e acelerar a transição energética (conceito que envolve a substituição gradual dos combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia). Mais uma vez, esse consenso estrutural não foi alcançado. O impasse entre países desenvolvidos e emergentes segue travando decisões que exigiriam coragem política e visão de longo prazo.

Os consensos firmados na COP30 Belém

Apesar das frustrações, seria equivocado afirmar que a COP30 não produziu resultados. Houve consensos relevantes, especialmente em agendas setoriais e instrumentos de financiamento climático.

Esses acordos não resolvem o problema estrutural, mas criam bases importantes para avanços locais e regionais, principalmente quando pensamos em recursos financeiros específicos e carimbados que atraem os olhares de políticos e gestores públicos.

Entre os principais consensos firmados, destaco:

  • Criação e fortalecimento do Fundo para Florestas Tropicais, com foco em conservação, uso sustentável e apoio a comunidades locais, tema estratégico para países amazônicos;
  • Acordos para ampliação de energias renováveis, incentivando investimentos em fontes limpas e redução gradual da dependência de matrizes fósseis;
  • Financiamento de planos climáticos estaduais e municipais, reconhecendo o papel das cidades na adaptação e mitigação dos impactos climáticos;
  • Compromissos relacionados a cidades sustentáveis, mobilidade urbana e resiliência da infraestrutura crítica;
  • Avanços na proteção de povos indígenas e territórios tradicionais, reconhecendo seu papel central na preservação ambiental.

A meu ver, esses consensos mostram que há capacidade de convergência quando o tema não confronta diretamente os modelos econômicos dominantes. O desafio começa justamente quando se toca no núcleo das políticas climáticas globais.

Políticas climáticas globais em um mundo polarizado

Um dos grandes limites da COP30 esteve no próprio modelo de governança internacional. Exigir consenso entre quase 200 países, em um cenário de polarização política e interesses econômicos conflitantes, reduz drasticamente a capacidade de decisão efetiva.

Além disso, instituições multilaterais não operam em um vácuo. Elas também refletem zonas de influência, interesses estratégicos e disputas de poder. Isso ajuda a explicar por que discussões fundamentais acabam ficando no campo da retórica ou de compromissos voluntários.

Do global ao local: onde a COP pode gerar impacto real

Se há um caminho possível, ele passa pela tradução dessas discussões para o nível local. Sim, meus amigos e amigas, a emergência climática se materializa (ou não) no município: na falta de planos de adaptação, na infraestrutura precária, na incapacidade de resposta a eventos extremos e nos prejuízos econômicos diretos. Só para que você tenha uma noção, segundo dados do relatório Cidades Verdes-Azuis Resilientes, que integra a plataforma Adapta Brasil, metade das cidades brasileiras encontra-se atualmente em alta vulnerabilidade climática.

Aqui também precisamos lembrar da questão da Justiça Climática, o princípio de que os impactos e as soluções da crise climática devem ser distribuídos de forma justa, protegendo principalmente quem menos contribuiu para o problema (aquecimento global) e mais sofre seus efeitos (enchentes, ondas de calor, deslizamentos, problemas de saúde). Nesse sentido, indico a leitura do excelente livro homônimo, de autoria da ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson, que traz uma série de relatos de pessoas e grupos que vivem essa realidade.

Rafael de Tarso é palestrante, consultor e professor com mais de 20 anos de experiência em inovação, transformação digital e Indústria 4.0. Já impactou mais de 180 empresas e 6 mil alunos em cursos, workshops e mentorias em todo o Brasil. Atua como assessor na Defensoria Pública do Paraná, liderando iniciativas de inovação e transformação digital no judiciário. Cofundador de startups e programas de inovação, também é professor em MBAs da FGV, PUCPR e ISAE-FGV.

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