Anotações feitas pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (RJ) durante uma reunião do PL mostram as opiniões do partido sobre o cenário eleitoral do Paraná. Os comentários foram feitos à mão pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em um documento vazado a jornalistas e detalhado pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo portal Metrópoles.
No documento, intitulado “Situação nos Estados”, há informações impressas e rabiscos feitos à mão pelo próprio Flávio Bolsonaro. Questionado, o senador admitiu que escreveu os comentários, mas que eles representam opiniões não só próprias, mas também de outros presentes à reunião.
Segundo a Folha de S.Paulo, o PL se divide atualmente na indicação de nomes para a disputa eleitoral, com a escolha dos candidatos aos governos estaduais cabendo ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e a escolha dos concorrentes ao Senado cabendo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso, condenado por tentativa de Golpe de Estado.
O que pensa o PL sobre a eleição ao Governo do Paraná
Sobre a situação paranaense, o documento do PL tem, na parte impressa, dois nomes para o Governo do Paraná (veja abaixo).

As anotações feitas por Flávio Bolsonaro indicam que o nome de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) na disputa é o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), que é mesmo o favorito do governador. Apesar disso, ele vem reafirmando que o PSD dispõe de um time de bons nomes e que quem estiver mais qualificado no momento da inscrição da chapa será o candidato do partido na eleição.
Disputam a benção de Ratinho Junior com Guto Silva o secretário do Desenvolvimento Sustentável e ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi. O mal desempenho do favorito do governador nas pesquisas aumenta rumores de que os outros dois pré-candidatos possam sair do PSD para viabilizar suas candidaturas. Greca teria convite do Progressistas e Curi do Republicanos.
O outro nome no documento, mas que não recebeu comentário adicional, é o do líder nos levantamentos eleitorais, Sergio Moro (União Brasil), que atualmente tem a incerteza de talvez não conseguir lançar a própria candidatura.
O partido do senador está em uma federação nacional e o diretório estadual do Progressistas vem rejeitando, repetidamente, chancelar o nome do ex-juiz da Lava Jato para a disputa pelo Governo do Paraná. Como se trata de uma federação, ambos os partidos devem concordar para efetivar uma candidatura.
Moro teria recebido um convite do próprio Flávio Bolsonaro para se juntar ao PL, mas isso foi negado por um dos nomes fortes a legenda no Estado, o deputado federal Filipe Barros, que é pré-candidato ao Senado em um acordo costurado com o PSD de Ratinho Junior.
Outra anotação de Flávio no documento diz respeito ao nome do deputado federal Fernando Giacobo (PL), que foi cogitado recentemente para a disputa do governo. O comentário é atribuído a Valdemar Costa Neto, sendo direto: “não pode ser candidato”.
O que pensa o PL sobre a disputa pelo Senado
A parte impressa do documento do PL sobre a eleição para o Senado tem três nomes (relembre o documento abaixo).

O nome destacado nos rabiscos de Flávio Bolsonaro é o do deputado federal Filipe Barros (PL), que é muito próximo do bolsonarismo e recebe o comentário de “só apoiamos ele”, ao lado da orientação para “conversar”.
Na sequência, há uma negativa taxativa de apoio para a jornalista Cristina Graeml (União Brasil) – “não dá / atrapalha Filipe” -, que deixa claro que os dois disputam votos dentro do público apoiador fiel do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O terceiro nome é o do deputado federal cassado Deltan Dallagnol (Novo), que é indicado como candidato do governador Ratinho Junior e líder das pesquisas eleitorais, embora ele não seja presença constante nos levantamentos feitos até aqui.
Sob Dallagnol, pesa a incerteza da candidatura ser aceita pela Justiça Eleitoral. O ex-procurador da Lava Jato foi cassado em 2023, sob entendimento que antecipou sua exoneração do Ministério Público Federal (MPF) para escapar da instauração de Processos Administrativos Disciplinares (PAD), o que fere a Lei da Ficha Limpa. Além de perder o mandado de deputado, a legislação impõe uma inelegibilidade de oito anos.
No entanto, as anotações de Flávio colocam, também junto ao nome de Deltan Dallagnol, uma marcação “TSE garante”, em uma sinalização de que o PL aposta que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai confirmar a candidatura dele nas eleições deste ano.
O ex-procurador chegou a anunciar uma pré-candidatura à Prefeitura de Curitiba, em 2024, mas abriu mão da disputa para apoiar o candidato de Ratinho Junior, o então vice-prefeito Eduardo Pimentel (PSD), que acabou eleito prefeito.
Dados obrigatórios da pesquisa
O levantamento eleitoral citado neste texto é da Paraná Pesquisas (CNPJ: 81.908.345/0001-40) e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-08451/2026 e contratado pelo Diretório Nacional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) – CNPJ: 00.676.213/0001-38.
A divulgação também está condicionada à inclusão de dados obrigatórios. Seguem eles: a data de coleta da pesquisa foi de 18 a 22 de janeiro, realizada com 1.300 entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais em 54 municípios do Paraná. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%.


