As 66 famílias da Ilha da Eufrasina, na Baía de Paranaguá, no Litoral do Paraná, ganharam um sistema de saneamento ecológico. A instalação fez parte do projeto Comunidades Sustentáveis, criado pela Portos do Paraná em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). A estimativa é que sejam beneficiadas mais de 200 pessoas na localidade.
A Ilha de Eufrasina, com acesso exclusivamente por embarcação, abriga uma comunidade tradicional de pescadores artesanais. Antes do projeto, as residências não contavam com sistema de coleta e tratamento de esgoto. O solo rochoso inviabiliza a implantação de redes convencionais, como as existentes em centros urbanos, ou ainda a instalação de fossas sépticas, comuns em áreas rurais.
O projeto utiliza jardins filtrantes — técnica conhecida como wetlands ou zonas úmidas construídas — que promovem o tratamento natural do esgoto. Também foram instalados biodigestores artesanais, nos quais microrganismos realizam a decomposição da matéria orgânica, além de biodigestores comerciais e vermifiltros, produzidos com bombonas plásticas e minhocas.
“Os vermifiltros são geralmente utilizados nas casas localizadas à beira da água”, explicou a bióloga e analista portuária Jaqueline Dittrich.
Segundo Fernando Augusto Silveira Armani, coordenador do projeto pela UFPR, antes do sistema ser instalado, os dejetos eram direcionados ao mar por meio de tubulações expostas.
“Toda a tubulação foi reorganizada e agora o esgoto passa por tratamento adequado. Em alguns casos, os sistemas foram integrados a jardins com flores, que além de funcionais, embelezam a comunidade”, destacou.
Trabalho de capacitação e a futura expansão
Para garantir o funcionamento adequado dos sistemas, os moradores participaram de 12 oficinas voltadas à manutenção das estruturas e ao uso consciente de produtos de limpeza. Substâncias como água sanitária podem comprometer a ação dos microrganismos responsáveis pelo tratamento do esgoto. Durante os encontros, também foram ensinadas técnicas para produção de materiais de limpeza biodegradáveis.
Com os resultados positivos, o projeto será ampliado para outras comunidades do litoral paranaense. “Mantemos o convênio com a Universidade justamente para expandir a iniciativa. Já iniciamos a implantação na Ponta Oeste, na Ilha do Mel, onde há cultivo de ostras”, informou Jaqueline Dittrich. Também serão contempladas as ilhas de Piaçaguera, Ponta de Ubá e Europinha.
Com informações da Agência Estadual de Notícias


