As inquietações que nascem do desejo de entender mais sobre o ser humano, seus instintos e semelhanças com os primatas deram origem à peça Instinto, que o Coletivo Gompa, de Porto Alegre, apresenta em Curitiba, no Sesc da Esquina. As apresentações, gratuitas, serão nos dias 25 e 26 de fevereiro, às 20 horas. Ambas contam com recursos de acessibilidade (audiodescrição na primeira e interpretação em Libras na segunda). A retirada de ingressos deve ser feita 1 hora antes do espetáculo.
O Grupo partiu do personagem Brand, da obra homônima do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, para falar sobre o agora, ambientando as cenas em contextos atuais, de modo fragmentado. Esteticamente, Instinto se define por uma dramaturgia híbrida, em que a dança, a atuação e as artes visuais se fundem. Um dos pilares é o uso de máscaras inteiras, que exigem dos bailarinos uma nova percepção de corpo e movimento, acompanhados por trilha sonora executada ao vivo por dois músicos em cena.
O espetáculo Instinto consolida a trajetória de pesquisa do coletivo ao investigar a natureza das relações de poder e a figura do líder na contemporaneidade. A obra mergulha no desejo humano por referências e questiona os limites éticos e pessoais daqueles que guiam e daqueles que são guiados.
“Escolhemos montar o Instinto pela atualidade desse tema: até onde a gente vai por uma liderança? Esse desejo de buscar continuamente uma referência, um líder. E de entender até onde eles vão, seja por ideais ou interesses pessoais. É algo que já vem interessando ao coletivo em seus últimos trabalhos”, pontua a diretora, Camila Bauer. “O espetáculo lida com uma dramaturgia híbrida que construímos em sala de ensaio. É um trânsito entre o trabalho com máscaras inteiras, a música feita ao vivo e fragmentos de texto. Existe essa fusão muito forte entre o corpo, a atuação e as artes visuais”, explica Camila, sobre o trabalho que foi vencedor do prêmio norueguês Ibsen Scope, selecionado entre 54 trabalhos de mais de 30 países. Em 2018, o trabalho anterior, Inimigos na Casa de Bonecas, também rendeu ao coletivo o Prêmio Ibsen e apresentações na Noruega.
Depois do reconhecimento no exterior, Instinto também rendeu uma indicação ao Prêmio Shell 2025, na categoria de Melhor Direção. “Para a gente, que é do Sul, ser indicado já é uma conquista. Enquanto diretora, é um reconhecimento muito bonito estar ao lado de nomes que admiro tanto e com trabalhos tão sólidos. Sinto-me muito honrada”, completa sobre o Shell.
Além das apresentações, o Gompa faz um Intercâmbio com a companhia curitibana Súbita, em um atividade que vai reunir os integrantes das duas formações para trocas de experiências e ideias cênicas, no intuito de promover dinamismo e diálogo entre grupos teatrais que investem em pesquisa.
*Com informações da assessoria de imprensa.


