O Café da Serra de Apucarana, no Centro Norte, foi reconhecido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) como a 24ª Indicação Geográfica do Paraná. O reconhecimento foi dado no final do mês de janeiro na modalidade Denominação de Origem (DO) e atesta a autenticidade e a qualidade dos grãos produzidos na região.
Além de Apucarana, a serra também abrange os municípios de Cambira e Arapongas. De todas as indicações reconhecidas no Estado, esta é a terceira de denominação de origem, ao lado do mel de Ortigueira e do café de Mandaguari. As demais são do tipo Indicação de Procedência (IP).
Entre os fatores apontados para a certificação, estão os naturais, com destaque para o relevo. A região possui altitudes superiores a 700 metros, podendo chegar a 2.000 metros acima do nível do mar, condição favorável ao cultivo da espécie Coffea arabica. A altitude contribui para a maturação mais lenta dos grãos, o que melhora tanto a produtividade quanto a qualidade do café.
O clima também é determinante. Apucarana apresenta clima úmido mesotérmico, com chuvas bem distribuídas e baixa ocorrência de déficit hídrico. A temperatura média anual é de 20,6°C, dentro da faixa considerada ideal para o cultivo do cafeeiro, entre 19 e 21°C.
Além dos fatores naturais, a documentação evidencia a importância do saber-fazer dos produtores locais. O uso de técnicas modernas aliado ao conhecimento tradicional, especialmente nos processos de colheita e na torra exclusivamente média, contribui para preservar e realçar as características do café da região.
Como resultado, o café da Serra de Apucarana apresenta perfil sensorial próprio, com acidez equilibrada, notas frutadas (como frutas amarelas e vermelhas) e predominância de melaço.
“O selo reconhece que o café de Apucarana é especial. Graças às características do solo e do clima da nossa cidade, produzimos um café que só é encontrado aqui e na África”, afirma Carlos César Bovo, cafeicultor e presidente da Associação dos Cafeicultores de Apucarana (Acap).
Reconhecimento do Café da Serra de Apucarana
A concessão da Indicação Geográfica, pelo Inpi, foi viabilizada com subsídio do programa Sebraetec, do Sebrae, e recursos da Prefeitura de Apucarana, por meio da Acap, e também contou com apoio do Instituto do Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), que ofereceu suporte por meio de capacitações e estudos técnicos.
Atualmente, Apucarana é o quinto maior produtor de café do Paraná, com uma área cultivada de 1.200 hectares e uma produção anual de 2.376 toneladas, de acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura. A produção já movimenta R$215 milhões por ano, uma das principais atividades econômicas do município.
A previsão é que o reconhecimento do selo “Café da Serra de Apucarana” beneficiará diretamente 250 produtores de café da cidade, além de 50 propriedades em Cambira e uma em Arapongas.
Paraná tem mais produtos na fila
Além das 24 Indicações Geográficas já recebidas, o Paraná conta com oito produtos depositados e em análise no Inpi: acerola de Pérola; mel de Prudentópolis; caprinos e ovinos da Cantuquiriguaçu; ginseng de Querência do Norte; pão no bafo de Palmeira; cervejas artesanais de Guarapuava; mel de Capanema e couro de peixe de Pontal do Paraná.


