Motoristas e cobradores da Auto Viação Mercês cruzaram os braços em Curitiba na manhã desta quarta-feira (14) afetando o atendimento de linhas de ônibus da região Oeste da capital, especialmente os bairros Santa Felicidade e São Braz. A administradora do sistema, Urbs, informou que organizou uma operação de emergência com outras empresas operadoras para atender as linhas afetadas, mas que podem ocorrer atrasos.
O sindicato que representa os trabalhadores (Sindimoc) já havia denunciado, ainda em dezembro de 2025, que os colaboradores da Auto Viação Mercês não haviam recebido o pagamento integral do décimo terceiro salário e que havia depósitos relativos ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em atraso. A crise se apronfundou com problemas no pagamento de janeiro, que deveria ter sido quitado até o último quinto dia útil do mês.
Em nota enviada a O Luzeiro, a Urbs afirmou que a Auto Viação Mercês administra 11 linhas do sistema de forma exclusiva e atua em outras oito de forma compartilhada. E que as outras duas empresas do consórcio – Transporte Coletivo Glória e a Auto Viação Santo Antônio – absorveram as operações emergencialmente nesta manhã.
A administradora do sistema informou ainda que todos os pagamentos às empresas estão em dia e que a relação trabalhista é de “responsabilidade exclusiva das empresas operadoras em relação aos seus empregados, não cabendo ao Poder Público ingerência sobre esse vínculo”. No entanto, a Urbs destaca que paralisações do serviço de ônibus, que é considerado essencial à população, teriam que ser comunicadas com 72 horas de antecedência e contar com frota mínima.
Procurado, o sindicato que representa as empresas de ônibus (Setransp) informou, por meio de nota, que a Auto Viação Mercês teve “dificuldades no cumprimento integral do pagamento da folha salarial de seus colaboradores”. A entidade informa que a questão está restrita à esta empresa, sem afetar os demais operadores do sistema.
Também por meio de nota, a Auto Viação Mercês informou que o problema de pagamento da folha salarial decorreu de “intercorrências pontuais no processamento bancário” e que a situação não está relacionada “à falta de recursos financeiros”. A empresa disse ainda a que a “regularização integral da folha está prevista para ocorrer ainda na manhã de hoje”.
Procurado para comentar a necessidade de aviso prévio de 72 horas e manutenção de serviço mínimo, o Sindimoc ainda não respondeu aos contatos da reportagem.
Comunicação com os cidadãos
A Prefeitura de Curitiba informou sobre os problemas com o serviço de ônibus com uma notificação via o aplicativo 156, a central de atendimento que serve os cidadãos. No entanto, a paralisação não teve postagens nas redes sociais do município, tanto no Instagram, X (antigo Twitter) ou Facebook, até as 10h.



