Sem água desde domingo (16), moradores de diversas regiões de Ponta Grossa devem ter o abastecimento normalizado apenas na quarta-feira (19). A informação foi repassada no fim da manhã desta terça-feira (18) pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que garantiu também o fim das manobras (espécie de rodízio) que vem sendo realizadas desde 13 de fevereiro. Mesmo diante da estimativa, moradores protestaram em frente à empresa na tarde de terça-feira.
De acordo com informações da própria Sanepar, o mais recente problema de abastecimento de água na cidade atinge pelo menos 70% do município, que tem em torno de 372,5 mil habitantes.
O corte foi feito para a interligação da última etapa da obra de duplicação da adutora de captação do Rio Pitangui e a previsão era de que o abastecimento fosse normalizado na madrugada de segunda-feira (17). Porém, vazamentos detectados após a conclusão da obra impediram a normalização do serviço.
Uma peça — uma flange que liga as bombas de produção à tubulação do sistema — teve que ser fabricada em caráter emergencial e chegou a Ponta Grossa na manhã desta terça. De acordo com a Sanepar, no início da tarde, as equipes já estavam trabalhando para instalá-la. A retomada do abastecimento aconteceu ao longo do dia e a normalização está prevista para quarta-feira.
Enquanto isso, porém, residências e empresas ficam sem água. Há relatos de moradores buscando água em bicas. Além disso, o funcionamento de diversos serviços foi afetado.
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), por exemplo, transferiu as aulas de terça e quarta-feira para o formato remoto devido ao desabastecimento e vai fechar os Restaurantes Universitários a partir do jantar desta terça. Já o Hospital Universitário de Ponta Grossa reagendou cirurgias eletivas para priorizar os atendimentos de urgência e emergência. Indústrias e comércios também tiveram que interromper os trabalhos.
Na manhã de terça, a prefeita Elizabeth Schmidt publicou um vídeo em redes sociais afirmando estar indignada com a situação, que representa, segundo ela, um desrespeito ao contrato firmado com a Sanepar. No vídeo, ela diz ainda que a prefeitura vai aplicar todas as sanções previstas em contrato com a companhia, “inclusive multa pesada sobre o faturamento da empresa”.
À tarde, a prefeita solicitou à Sanepar a isenção de tarifas por três meses. O pedido foi reforçado em uma reunião realizada na Assembleia Legislativa do Paraná entre dirigentes da Sanepar e deputados estaduais. Ali, o presidente da empresa afirmou que vai estudar a possibilidade de reduzir ou isentar a tarifa no município.
Problemas de abastecimento duram mais de um mês
Antes deste desabastecimento, os moradores de Ponta Grossa já vinham convivendo com manobras da Sanepar para garantir que a cidade não ficasse completamente sem água desde fevereiro.
De acordo com a empresa, o aumento do consumo devido as altas temperaturas registradas mês passado fez com que ela não conseguisse dar conta da demanda por água tratada. Assim, passou a suspender o abastecimento por 12 horas em diferentes regiões, numa espécie de rodízio. Também fez obras emergenciais para operacionalizar e ampliar a capacidade de um poço profundo na região.
A solução definitiva para o problema era a duplicação da adutora de captação do Rio Pitangui, que estava em andamento desde 2021. Até aquele momento, a previsão para conclusão da obra era agosto de 2025, porém, diante do cenário e dos protestos dos moradores, a Sanepar adiantou a etapa. A estimativa da empresa é que, após a realização de testes, o sistema esteja operando plenamente até o fim de março.